George W. Bush e Tony Blair são criminosos maiores do que Saddam Hussein ou líderes da rede extremista Al-Qaeda, acusou nesta segunda-feira (5) o ex-primeiro-ministro malaio Mahathir Mohammad na abertura de uma conferência de três dias organizada por sua organização não-governamental, a Perdana, visando criminalizar as guerras como um todo.

Voltando a cutucar os líderes dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha, o polêmico ex-primeiro-ministro da Malásia afirmou que a guerra no Iraque tem causado um terror maior do que o provocado pelos militantes suicidas da Al-Qaeda em todo o mundo. "A história deveria lembrar de Blair e Bush como os matadores de crianças ou como os mentirosos primeiro-ministro e presidente", disparou Mahathir

Como chefe de governo, Mahathir era um franco crítico de políticas dos Estados Unidos, Grã-Bretanha e Austrália, e se tornou ainda mais contundente após deixar o poder em outubro de 2003. "O que Blair e Bush têm feito é pior do que Saddam fez" avaliou Mahathir, de 81 anos.

"Julgamento"

Na quarta-feira, os delegados da conferência devem lançar formalmente um tribunal de guerra que "julgaria" líderes mundiais, incluindo Blair e Bush, contra quem cidadãos comuns apresentarem queixas. O tribunal não terá a autoridade legal de uma organização internacional e não terá força para impor penas, mas Mahathir disse que o objetivo é escrever a história.

"Não devemos enforcar Blair se o tribunal considerá-lo culpado, mas ele deve sempre carregar o título de ‘criminoso de guerra, assassino de crianças, mentiroso’", disse Mahathir, que dedicou a maior parte de seu veneno ao primeiro-ministro britânico em seu discurso. "O mesmo deve ser feito com Bush e o representante de Bush na Bushlândia da Austrália", afirmou, referindo-se ao primeiro-ministro australiano, John Howard, um tenaz aliado da campanha do presidente americano contra o "terrorismo".

Entre os palestrantes estão a ex-legisladora dos EUA Cynthia McKinney, democrata que classificou a guerra liderada pelos EUA no Iraque de ilegal, e o ex-subsecretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) Hans von Sponeck, que participou de uma tentativa similar de estabelecer um tribunal de crimes de guerra durante conferência na Turquia em 2005.

Dezessete pessoas – nove do Iraque, cinco de territórios palestinos e três libaneses – chegaram para participar da conferência de paz nesta segunda-feira para realizar suas considerações para a chamada Comissão de Crimes de Guerra, em Kuala Lumpur.

Mahathir esteve na linha de frente da guerra contra o terrorismo ordenada por Bush depois dos atentados de 11 de setembro de 2001 prendendo mais de 100 supostos simpatizantes islâmicos da Al-Qaeda na Malásia. Mas ele defende que a raiz do terrorismo islâmico são as injustiças promovidas pelo Ocidente, especialmente nos territórios palestinos e no Iraque. "O terror causado (pelas grandes potências) é na verdade maior e os países poderosos são muito mais terroristas do que os atacantes suicidas", afirmou.