Se tudo correr como previsto dentro das hostes do PMDB e do governo estadual, o ex-reitor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Carlos Augusto Moreira Júnior, deve ser confirmado hoje como candidato do partido à Prefeitura de Curitiba. Mas nem mesmo os mais argutos analistas políticos conseguem cravar o que até alguns dias era muito claro. O ?eleito? do governador do Paraná está em maus lençóis.

Carlos Moreira entrou na luta da sucessão municipal como um completo azarão – ainda é, se avaliarmos as últimas pesquisas. Dentro do PMDB, era tomado como um ?curinga? do governador, que acabou querendo cacifá-lo como o candidato que seria capaz de vencer o prefeito Beto Richa (PSDB), que tentará a reeleição.

Não obteve apoio total nem mesmo em seu partido. Vai para o bate-chapa com o deputado federal Rodrigo Rocha Loures, que ganhou importantes apoios na última semana e chega com condições de embaralhar a disputa partidária. Os maus resultados de Moreira nas pesquisas de opinião e a queda na popularidade do governador fizeram com que um dos mais fiéis seguidores do mandatário, o líder do governo na Assembléia Legislativa, deputado Luiz Cláudio Romanelli, sugerisse uma chapa conjunta com o PT, tendo a petista Gleisi Hoffmann como candidata.

Quando pessoas próximas do Palácio Iguaçu fazem este tipo de sugestão, duas leituras são possíveis: ou o próprio governador está querendo embaralhar a disputa (o que seria surpreendente, pois ele está quase impondo Carlos Moreira), ou a já combalida base governista não acredita que o candidato ?eleito? seja o ideal para encarar a desgastante campanha e chegar ao segundo turno.

Sabe-se, entretanto, que o diretório municipal do PMDB é controlado por aliados do governador. Lidera-o, por exemplo, o ?móveis e utensílios? do mandatário, Doático Santos. E, com a força da máquina, Carlos Moreira é favorito mesmo não sendo o preferido da maioria. Mas, dependendo do tamanho da vitória na convenção de hoje, Moreira pode entrar na eleição ainda menor do que já está.