Ele sonhou ser o presidente do Brasil. Alguns imaginaram que, em uma escalada populista, isto seria possível. Mas, dez anos depois de surgir no País como um fenômeno eleitoral, Anthony Garotinho agora sofre as agruras de ser acusado de fazer parte -quando não ser o comandante – de um esquema de formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, facilitação de contrabando e corrupção.

Por conta disso, a operação Segurança Pública S/A, da Polícia Federal, prendeu o deputado estadual do Rio de Janeiro Álvaro Lins (PMDB), que seria o líder do grupo.

Garotinho está sob forte suspeita. Vem afirmando nos últimos dias que é inocente, que sabe quem é que está por trás das denúncias, garante que está sofrendo perseguição política e que não lidera nenhuma quadrilha armada, pois sua ?arma é a Bíblia?, como disse na sexta-feira no programa de rádio que tem no Rio de Janeiro. Mas não se consegue mais ter plena certeza nas declarações do ex-governador fluminense.

Fortemente apoiado pelas igrejas evangélicas (à exceção da Igreja Universal), Garotinho subiu rapidamente na política. Passou de vereador a deputado estadual e a governador em poucos anos, fazendo fama de imbatível em eleições e herdando a máquina populista de Leonel Brizola com quem rompeu – no PDT.

Apareceu na eleição de 2002 como um candidato de ?quarta via?, fazendo campanha ao largo de Luiz Inácio Lula da Silva, José Serra e Ciro Gomes. Em dado momento, virou possibilidade real de ir ao segundo turno, mas a rejeição ao nome dele em grandes estados (como São Paulo e Minas Gerais) impediu seu avanço.

Dali em diante, Anthony Garotinho só fez cair. Seu poder foi diminuindo aos poucos, e definitivamente quando sua esposa, Rosinha Matheus, deixou o governo do Rio. Sua rede de influência minguou. Transformou-se em ?comunicador? e faz da rádio seu bunker. Hoje, ele é uma sombra de si mesmo, fugindo da política para se dedicar à arte de se defender.