O bote mortal dos governistas do PMDB sobre a candidatura própria, para os derradeiros fiéis aos ideais acalentados por Ulisses e Teotônio – única via de sobrevivência do partido – acabou de ser desferido. Por 10 votos a cinco, a executiva adiou a convenção nacional para 29 de junho, antes prevista para o dia 10.

Triunfou a pressão da ala governista capitaneada pelos senadores José Sarney (AP) e Renan Calheiros (AL), comprometidos até a raiz dos cabelos com o apoio à candidatura de Luiz Inácio à reeleição. Nem a disposição heróica do senador Pedro Simon (RS) ao apresentar-se como candidato a presidente mereceu o respeito da falange interessada apenas na manutenção da prerrogativa de nomear ministros e diretores de estatais e repartições importantes, destinando ao lixão mais próximo as lutas históricas do partido.

Assim, no dia 29 de junho a convenção nacional do PMDB tem tudo para se transformar num comício de aclamação da candidatura de Lula à Presidência da República, dando-se como provável a hipótese da indicação de um peemedebista para a Vice-Presidência.

Não seria de todo estranho ao atual modo de proceder do PMDB se o senador Renan Calheiros fosse proclamado interventor plenipotenciário no diretório nacional e, daqui a pouco candidato a vice-presidente, tal é o poder de persuasão com que impõe suas determinações ao restante da agremiação. O presidente de fato e de direito, deputado Michel Temer (SP), é pouco mais que uma figura decorativa, sem que sua autoridade institucional sequer seja considerada nos momentos críticos vividos no interior da combalida engrenagem. A que extremos de subserviência pode chegar a volúpia fisiológica de certos políticos brasileiros!