Enquanto a opinião pública está com as atenções voltadas para o Supremo Tribunal Federal (STF), onde desde ontem avança o julgamento dos 40 indiciados no inquérito do mensalão, para cientificar à nação se as denúncias formuladas pelo procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, serão ou não aceitas e os acusados passem à condição de réus, alguns deles se comportam como participantes de um bonançoso cruzeiro.

Como se se dirigisse a uma multidão de basbaques, o deputado João Paulo Cunha (PT-SP), que sacou R$ 50 mil de uma conta alimentada com dinheiro providenciado pelo publicitário mineiro Marcos Valério Fernandes de Souza, afirmou, com a candura digna de seminarista pronto a receber as ordens, que as acusações contra sua pessoa são ?fantasiosas, surrealistas e extravagantes?.

Faltou a sua excelência explicar melhor ao distinto público as razões que teriam levado autoridade de tão elevado posto na República, o procurador-geral, a lhe desferir ataques assaz mesquinhos e insensatos.

Pois não é outra a impressão dos observadores, ante as jeremiadas do parlamentar paulista, cuja gloríola foi ter sido reeleito com a maior votação dada, na eleição passada, a um candidato à Câmara dos Deputados pelo Partido dos Trabalhadores, em seu estado.

Cunha usa em defesa própria o fato de ter enfrentado a recomendação da cassação do mandato pelo Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara, coroada pela posterior indulgência plena obtida no plenário. E mais, esclareceu que a quantia sacada na agência bancária de Brasília, curiosamente freqüentada por número inusitado de mensaleiros, foi reparte do partido à sua pré-campanha eleitoral.

Outro finório irmão da opa, o deputado Valdemar da Costa Neto (PR-SP), que recebeu R$ 10 milhões para repartir entre os companheiros da bancada do antigo PL, onde militava o vice-presidente José Alencar, foi menos retórico, mas afirmou aguardar ?tranqüilo? o pronunciamento do STF.

Costa figura entre os que retornaram ao Congresso (renunciou para não perder os direitos políticos), mas como um varão de Plutarco virado do avesso esconde-se nos desvãos do plenário, com atuação imperceptível nas atividades da Casa. Justiça neles!