Mais de 60 milhões de eleitores vão às urnas hoje para definir o futuro governo da Alemanha, em uma votação marcada pela incerteza. Apesar de favorita, a União Democrata Cristã (CDU), da chanceler Angela Merkel, terá de lutar para conseguir governar sozinha, de acordo com analistas. “Obter a maioria no Parlamento será difícil tanto para a CDU como para o Partido Social Democrata (SPD)”, afirmou ao Estado o cientista político Josef Schmid, da Universidade Tübingen. “No momento não podemos descartar nenhum cenário, mas é bem possível que a Alemanha tenha de novo uma grande coalizão.”

CDU e SPD passaram o último governo dividindo o poder, o que dificultou a troca de ataques na campanha. Ambas as legendas, porém, já deixaram claro que não pretendem continuar a parceria. Uma alternativa para a CDU seria tentar formar um governo com o Partido Liberal (FDP). “Chegamos a um ponto em que as questões importantes para o país não são mais discutidas. A única pergunta que tentamos responder ultimamente é que tipo de coalizão a Alemanha terá”, explicou Felix Butzlaff, professor da Universidade Göttingen.

O clima de incerteza que vem tomando conta do país nos últimos dias é resultado de uma campanha considerada sem graça pela população e pela imprensa. Em uma sondagem do Instituto Forsa, 84% dos eleitores definiram a campanha como “tediosa”.

A falta de discussão de propostas concretas é um dos motivos da falta de interesse do eleitorado. “Os candidatos preferiram se concentrar em temas superficiais”, disse o analista político Gero Neugebauer, da Universidade Livre de Berlim. “Os candidatos não querem falar de propostas concretas, como a saída dos soldados alemães do Afeganistão ou o desemprego, porque, na verdade, nenhum deles tem a solução para essas questões.”

A internet, protagonista da campanha presidencial americana e dos protestos pós-eleitorais do Irã, tem desempenhado um papel secundário no processo de votação alemão. Apesar dos esforços dos partidos para aumentar a base de apoio online, o uso de redes sociais ainda é pequeno. No site de relacionamentos Facebook, por exemplo, a página de Merkel tem 17 mil partidários cadastrados – uma fração insignificante se comparada aos mais de 6 milhões que fazem parte da comunidade do presidente americano, Barack Obama.

“Perto dos EUA, os partidos alemães ainda estão atrasados. Eles não souberam usar a internet na campanha”, disse Peter Matuschek, chefe do Departamento de Pesquisa Política e Social do Instituto Forsa.