O presidente do Sudão, Omar al-Bashir, anunciou hoje o fim da censura à imprensa escrita, atendendo uma exigência da mídia local antes das primeiras eleições do país em 25 anos. Em um decreto divulgado pela agência oficial de notícias SUNA, Bashir acabou com o sistema de “pré-censura”, pelo qual os jornais eram examinados por censores do governo todas as noites antes de chegarem às bancas para evitar a publicação de matérias “sensíveis”.

“A partir de hoje, a censura acabou e os jornalistas terão total liberdade”, disse Ali Shimo, presidente do Conselho de Imprensa, acrescentando que editores, associações de jornalistas e censores assinaram um “código de ética” para a prática do jornalismo. O maior país da África possui cerca de 30 publicações diárias em inglês e árabe, que refletem sua composição política multifacetada.

O Parlamento em junho aprovou uma nova lei garantindo liberdade de imprensa, mas proibiu a mídia de “provocar revoltas religiosas, étnicas ou raciais, ou de defender a guerra ou violência”. Jornalistas condenados por violar a nova lei de imprensa tiveram de pagar multas definidas em juízo. Embora a lei tenha como objetivo assegurar a liberdade de imprensa, na prática os censores continuam exercendo sua função. A nova lei do Sudão, que em abril realizará suas primeiras eleições gerais desde 1986, vale apenas para a imprensa escrita e não para a televisão, que é amplamente controlada pelo estado sudanês. As informações são da Dow Jones.