Os conflitos entre as forças de segurança ucranianas e rebeldes separatistas no leste do país continuam mesmo faltando menos de 12 horas para o início cessar-fogo negociado por líderes europeus. A trégua, vista possivelmente como a última chance para dar fim à guerra civil, deve começar à meia-noite do horário local (19h no Horário de Brasília).

A cidade de Debaltseve segue no epicentro dos combates neste sábado, enquanto os insurgentes tentam cercar e tomar o controle do município, até o momento guardado pelas forças ucranianas. O acordo de cessar-fogo tecnicamente entregaria o controle da região para o governo central da Ucrânia.

“Os militantes estão acabando com a cidade de Debaltseve. Ataques de artilharia não param de destruir com casas e prédios de civis. A cidade está em chamas”, disse em sua página no Facebook o chefe das forças policiais ucranianas na província de Donetsk, Vyacheslav Abroskin.

O porta-voz do exército da Ucrânia, coronel Andriy Lysenko, afirmou que os rebeldes acumulavam armamentos pesados e, com a ajuda das forças russas, estariam tentando ampliar seu território antes do início do cessar-fogo. As forças ucranianas, no entanto, têm conseguido manter sua posição em Debaltseve apesar da “pressão insana, dos bombardeios e dos poderosos ataques”, afirmou Lysenko.

De acordo com a porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, Jen Psaki, militares da Rússia estariam enviando artilharia pesada para Debaltseve, além de ajudarem no bombardeio contra bases ucranianas. “Temos certeza de que esses são sistemas do exército russo e não dos separatistas ucranianos”, disse Psaki em nota à imprensa. “Esse claramente não é o espírito do acordo assinado nesta semana.”

Também foram relatados conflitos intensos nas proximidades do portos de Mariupol, no mar de Azov. Segundo o conselho da cidade, as regiões vizinhas foram bombardeadas em pelo menos oito ocasiões neste sábado.

Em Shyrokine, uma cidade próxima a Mariupol, diversos combates ocorreram no começo da manhã do sábado, informou o Batalhão de Azov em sua página no Facebook. O batalhão, grupo de milicianos que se dispuseram a lutar em conjunto com o exército ucraniano, afirmou que o município quase foi destruído pela artilharia. A milícia reportou um grande número de feridos e pedia reforços.

Nas últimas 24 horas, as forças do governo da Ucrânia registraram sete mortes e 23 feridos, de acordo com Lysenko. Os rebeldes não informaram o número de casualidades.

O líder da autoproclamada República Popular de Donetsk, Alexander Zakharchenko, garantiu neste sábado que todos os insurgentes sob seu comando haviam interrompido os conflitos em todas as regiões, com exceção de Debaltseve. De acordo com ele, a cidade não havia sido mencionada nas negociações que ocorreram em Minsk.

O presidente ucraniano, Petro Poroshenko, por sua vez, colocou qualquer responsabilidade de possíveis brechas no cessar-fogo sobre os ombros dos separatistas. “Nós estamos numa encruzilhada agora: ou o inimigo para de atacar, e damos início ao processo político, ou o inimigo impõe o recomeço do conflito”, disse ele. Fonte: Dow Jones Newswires.