Multidões queimaram casas, igrejas e mesquitas neste sábado, no segundo dia de confrontos na cidade de Jos, no centro da Nigéria, que deixaram mais de 300 mortos. É o pior caso de violência sectária em quatro anos na mais populosa nação da África.

O xeque Khalid Abubakar, imã da principal mesquita da cidade, disse que mais de 300 corpos foram levados para seu centro religioso apenas no sábado e 183 deles estavam nas proximidades da mesquita, esperando por um enterro.

Os mortos da comunidade cristã provavelmente não seriam levados para a mesquita. Isso aumenta a possibilidade de que o total de mortos seja bastante superior. O necrotério da cidade não forneceu informações sobre as vítimas neste sábado.

Um porta-voz da polícia, Bala Kassim, disse apenas que havia “muitos mortos”, sem precisar um número. Os confrontos são os piores ocorridos no país desde 2004, quando 700 pessoas morreram no Estado de Plateau, em confrontos entre cristãos e muçulmanos.

Jos é a capital do Estado de Plateau e tem um longo histórico de violência sectária. O problema dificultou a organização de uma eleição em setembro de 2001, gerando confrontos que mataram mais de mil pessoas.

A cidade fica no chamado “cinturão do meio”, onde membros de centenas de etnias vivem, em uma área fértil e instável que divide o norte muçulmano e o sul, predominantemente cristão.

Autoridades impuseram um toque de recolher nas áreas onde houve mais confrontos da cidade, em que os muçulmanos Hausa, pastores, vivem em clima tenso com cristãos de diferentes grupos étnicos.

O confronto começou com brigas entre os dois principais partidos da cidade, após as primeiras eleições locais em uma década. Porém se expandiu entre as diferentes etnias, principalmente entre os Hausas e os cristãos.

Grupos começaram os protestos depois da tentativa frustrada de divulgar publicamente o resultado da eleição. O pleito foi acompanhado por inúmeros observadores, em função do histórico de fraudes em eleições nigerianas. Em protestos iniciados pela manhã, jovens manifestantes bloquearam as ruas.

As forças locais dispersaram inúmeras gangues na madrugada e os líderes étnicos e religiosos foram às rádios na tentativa de acalmar a população.

O presidente Umaru Yar’Adua, no cargo desde o ano passado, enviou tropas militares para conter o problema. Mais de 10 mil nigerianos já morreram em conflitos sectários desde que uma junta de líderes civis assumiu o poder, no lugar dos militares, em 1999.

Poucas eleições foram consideradas honestas no país, desde sua independência da Grã-Bretanha, em 1960. Golpes militares são freqüentes na Nigéria. Os impasses políticos também são comuns, em um país onde escritórios governamentais controlam grandes somas de dinheiro, vindas da indústria do petróleo nacional.

As informações são de agências internacionais.