O presidente de Israel, Shimon Peres, está pronto para iniciar as consultas aos líderes parlamentares antes de decidir quem assumirá a tarefa de tentar formar um novo governo, depois de uma apertada eleição geral. De acordo com seu gabinete, Peres pretende iniciar os trabalhos logo após anunciar os resultados oficiais da eleição de 10 de fevereiro. Depois de receber os dados eleitorais, Peres terá sete dias para confiar a um membro do Parlamento a formação do novo governo.

O parlamentar escolhido por Peres terá 28 dias para reunir uma coalizão, prazo que pode ser prorrogado pelo presidente em 14 dias, se necessário. Se Peres pedir ao ex-primeiro-ministro Benjamin Netanyahu para formar o governo, será a primeira vez na história do país que a tarefa não fica com o líder do partido vitorioso na eleição.

Embora o partido de centro Kadima, da ministra de Relações Exteriores Tzipi Livni, tenha obtido uma vitória apertada, os especialistas acreditam que Netanyahu, da direita radical, tem melhores chances de formar uma maioria no Knesset, o parlamento israelense. Os partidos de direita conseguiram ampla vantagem nas urnas e, de acordo com a legislação israelense, a tarefa de formar um governo não cabe automaticamente ao partido que recebe a maior votação, mas ao que provavelmente pode formar uma coalizão majoritária.

O Kadima obteve 28 das 120 cadeiras, apenas uma a mais do que o Likud, mas tem muito menos aliados potenciais para uma coalizão do que seu rival. Peres disse que só chegará a uma decisão depois de consultar todos os partidos. No domingo, o Kadima rejeitou dividir o poder com Netanyahu e pediu um governo rotativo. Esse tipo de arranjo foi feito em 1984, quando, depois de outra eleição apertada, cada um dos dois principais partidos manteve o cargo de primeiro-ministro por dois anos.

Palestinos

Até agora, Netanyahu tem rejeitado a opção de governo rotativo. Ele deixou claro que prefere uma ampla coalizão, incluindo o Kadima, em vez de uma aliança com os partidos à direita do Likud. A mudança de poder para um governo com orientação mais conservadora levantou preocupações quanto ao futuro das frágeis negociações de paz com os palestinos.

Livni, que desempenhou um papel-chave nas negociações desde que elas foram reiniciadas com apoio internacional em novembro de 2007, disse na segunda-feira que Israel não tem alternativa a não ser continuar o processo. Um governo estritamente de direita incluiria partidos opostos à retirada dos territórios palestinos ou ao fim dos assentamentos judeus e colocaria Netanyahu em conflito com o governo norte-americano, do presidente Barack Obama. As informações são da Dow Jones.