Caracas – Centenas de pessoas comemoraram até o amanhecer a derrota do presidente venezuelano, Hugo Chávez, no referendo sobre sua proposta de reforma constitucional, liderados pelos universitários que se sentem responsáveis por tal triunfo.

Com bandeiras, gorros e cartazes usados durante a campanha pelo não, comemoravam pessoas de todas as idades das classes média e alta, às mais contrárias a Chávez, em uma ratificação da medida no país que é tanto política como social, econômica e cultural.

Com cartazes com inscrições como "Não à reforma" ou alusivas às universidades, como "Orgulhosos de ser Ucevistas" (em referência à Universidade Central de Venezuela) e "Pela autonomia universitária", estudantes tomaram a praça Altamira, no leste da capital, bastão da oposição, para festejar contra o projeto socialista e o setor da população que o acompanha.

Entoando "Vivam os estudantes", "Estudantes, estudantes" e coros semelhantes, esses universitários cantaram e dançaram tocando tambores nas ruas do leste da capital.

Alguns mostraram suas mãos pintadas de branco, para expressar que se declaram pacíficos, outros agitaram bandeiras tricolores e placas com a palavra "não".

Mulheres diziam em canais locais e internacionais de televisão que a derrota de Chávez permitirá que seus filhos "vivam em liberdade".

Ao seu lado, sempre no setor acomodado de Altamira, uma jovem universitária gritava em frente à câmera que foi derrotada a "porca" reforma, em meio a expressões de agradecimento a Deus.

As caravanas de carros, muitos deles avaliados em vários milhares de dólares, percorreram as ruas, onde outros opositores se reuniam.

Os meios locais não divulgaram informações sobre os derrotados, salvos casos muito isolados, como o depoimento de uma jovem que também é "ucevista", mas que se identifica com Chávez, e que disse que ficou em dúvida se seguia ou não os outros universitários (opositores).

As cenas de euforia se repetiram em outras cidades do país, como em Barquisimeto, onde a ex-primeira-dama, Marisabel Rodríguez, cantou a celebrou rodeada de opositores, dos quais recebeu agradecimentos especiais por sua contribuição à campanha contra o presidente.

Também na cidade ocidental de Maracaibo, bastão do governador e dirigente opositor Manuel Rosales, as ruas ficaram repletas de manifestantes celebrando a vitória do não à reforma constitucional.