Vítimas das enchentes no Paquistão saquearam caminhões que levavam alimentos para flagelados nesta terça-feira, enquanto autoridades no noroeste do país alertaram que uma crise de fome atingirá a região, a menos que os agricultores recebam ajuda imediata para plantar os grãos. A Organização das Nações Unidas (ONU) apelou por US$ 459 milhões para o auxílio imediato ao Paquistão e até agora recebeu 40% disso, afirmou o porta-voz da ONU, Fabrizio Giuliano. Outros US$ 43 milhões foram pedidos. Na cidade de Shikarpur, cerca de 100 flagelados saquearam dois caminhões que transportavam alimentos.

As enchentes começaram há três semanas, mas existem poucos sinais de que as condições estejam melhorando para as cerca de 20 milhões de pessoas afetadas – um a cada nove paquistaneses. Dezenas de milhares de vilarejos permanecem debaixo das águas e o governo teme que mais enchentes estejam a caminho. A comunidade internacional está enviado água, alimentos, medicamentos e trabalhadores humanitários ao Paquistão, mas os grupos humanitários e o governo britânico já reclamaram que o auxílio tem sido lento e não suficiente para a dimensão das necessidades.

“Nós gostaríamos que nossos apelos se convertessem rapidamente em cheques, porque a situação está pior a cada dia”, afirmou Giuliano. O Banco Mundial disse que redirecionará US$ 900 milhões em empréstimos atuais ao Paquistão para o combate às enchentes.

“A vasta extensão geográfica das regiões afetadas pelas enchentes, bem como das populações atingidas, significam que muitas pessoas ainda precisam receber auxílio humanitário, que é desesperadamente necessário”, disse a ONU. A ONU também afirma que o número de crianças e mães que amamentam afetadas pelas enchentes e os crescentes casos de diarreia “apontam em direção a um risco claro de má nutrição entre as populações afetadas”.

As enchentes mataram 1,5 mil pessoas e inundaram uma área de 700 mil hectares de terra produtiva, onde eram cultivados trigo, cana-de-açúcar e arroz. Os preços de alimentos subiram drasticamente. A distribuição de alimentos está caótica na província do Sind, a mais populosa do país. “Nós nunca lidamos com uma calamidade desse tamanho”, disse Faisal Edhi, que trabalha para a principal organização privada de assistência do Paquistão, a Fundação Edhi.