O exército de Mianmar assumiu neste sábado o controle de uma cidade em ruínas na região central do país, restaurando a calma depois que vários dias de confrontos entre budistas e muçulmanos deixaram pilhas de corpos nas ruas e edifícios em chamas. Caminhões com soldados patrulhavam Meikhtila, ocupando posições em intersecções e bancos, enquanto as autoridades entregavam comida e água para milhares de refugiados muçulmanos. Alguns moradores, que se abrigaram dentro de suas casas desde que o caos tomou conta da cidade, saíram para verificar a destruição causada pelo conflito que deixou pelo menos 28 mortos.

Nesta sexta-feira, o presidente de Mianmar, Thein Sein, um ex-general que prometeu trazer a democracia ao país depois de meio século de regime militar, decretou estado de emergência na região. O confronto foi o primeiro do tipo no país desde que dois conflitos similares ocorreram em Rakhine, no oeste do país, no ano passado. A propagação do derramamento de sangue destaca os enormes desafios de reforma e o fracasso do governo para conter o sentimento antimuçulmano em uma nação de maioria budista.

Até mesmo os monges se armaram e encenaram manifestações antimuçulmanos, tirando vantagem das liberdades recém-descobertas. Não estava imediatamente claro qual dos lados deu início ao conflito, mas pelo menos cinco mesquitas foram incendiadas e muçulmanos aterrorizados, que representam 30% dos 100 mil habitantes de Meikhtila, deixaram as ruas, enquanto suas lojas eram queimadas e budistas carregavam facões e martelos para impedir os bombeiros de apagar as chamas.

“A calma foi restaurada depois que as tropas assumiram o controle da segurança”, comentou Win Htein, um membro da oposição de Meikhtila. “Até agora, quase 6 mil muçulmanos foram realocados para um estágio e uma delegacia de polícia para sua segurança.”

Moradores disseram que as equipes de resgate e voluntários de outras cidades estão chegando para ajudar e que os budistas locais estão dando comida e água para os refugiados. Alguns budistas buscaram abrigo nos templos locais. Este foi o pior conflito sectário em um país do Sudeste Asiático neste ano. As informações são da Associated Press.