Um tribunal de Jerusalém decidiu em uma sentença publicada hoje que o Estado de Israel é responsável pela morte de uma menina palestina de 10 anos, Abir Aramin, morta a tiros há mais de três anos. O tribunal entendeu que a menina estava observando à distância uma manifestação quando foi alvejada por um policial paramilitar.

O caso chamou a atenção porque o pai da criança, Basam Aramin, hoje com 42 anos, era um ex-militante palestino que passou a defender a coexistência pacífica entre israelenses e palestinos. Abir Aramin foi seriamente ferida em janeiro de 2007, quando guardas israelenses de fronteira dispersaram uma manifestação de jovens que jogavam pedras contra a polícia no vilarejo de Anata, ao norte de Jerusalém.

Ela observava a manifestação à distância, quando foi atingida por uma bala de ferro com proteção de borracha. Ela morreu dois dias depois em um hospital, em Jerusalém. A polícia israelense disse inicialmente que ela foi morta por uma pedra jogada por um palestino.

“Não pode existir nenhuma dúvida de que Abir foi atingida por uma bala de borracha disparada por um policial de fronteira, o que significa que o disparo foi feito ou por negligência ou violação das regras de confrontos”, disse o tribunal, na decisão.

Polícia

A polícia de fronteira de Israel é a unidade paramilitar que controla motins e passeatas. Durante as décadas de protestos palestinos contra a ocupação israelense, as forças de segurança de Israel têm usado balas de ferro ou de aço recobertas com borracha para controlar multidões. Disparadas, elas normalmente provocam feridas dolorosas, embora não mortais, nos manifestantes. Mesmo assim, podem ser fatais.

“Nós recebemos a notícia com lágrimas”, disse Basam Aramin. “A morte da minha filha é uma ferida que nunca cicatrizará, mesmo que o assassino dela seja punido”. A decisão do tribunal israelense de culpar o Estado de Israel pela morte é rara, diz a advogada da família, Leah Tsemel.

Casos envolvendo mortes ou ferimentos graves contra palestinos, provocados por forças israelenses de segurança, raramente vão além de uma investigação inicial. Uma outra audiência é esperada para outubro, para determinar uma indenização à família da vítima.

A família Aramin também move outra ação separada na Suprema Corte de Israel para que o paramilitar que disparou contra a menina seja acusado. A polícia de fronteira não quis comentar o caso, e o Ministério da Justiça de Israel disse que a prova não é forte o suficiente para conseguir uma condenação.