A equipe de segurança do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ordenou que uma repórter árabe grávida retirasse seu sutiã para checar se não havia nenhum objeto suspeito com ela, afirmou hoje um grupo da imprensa. Outros repórteres tiveram de tirar sua roupa de baixo para a revista.

A exigência foi feita ontem, quando jornalistas tentaram entrar em um hotel cinco estrelas em Jerusalém para a recepção anual do premiê à imprensa estrangeira. Alguns preferiram desistir do evento para não enfrentar as humilhantes revistas.

O incidente gerou críticas da Associação da Imprensa Estrangeira, sediada em Tel-Aviv. A entidade afirmou, em comunicado, que entende a necessidade de haver segurança, mas “não é remotamente aceitável convidar pessoas para coquetéis em hotéis cinco estrelas e então fazê-las se despir na porta”.

Najwan Simri, uma repórter árabe-israelense e produtora, funcionária da rede de televisão Al-Jazira, afirmou que uma agente de segurança pediu a ela que tirasse o casaco e a camiseta, e por fim o sutiã. “Eu estou no quarto mês de gravidez e pedi a eles para não usarem o detector de metais em mim, mas eles não se importaram”, disse ela. Quando recebeu o pedido para retirar o sutiã, a jornalista se recusou e assim teve sua entrada proibida.

A associação afirmou que vários de seus membros foram forçados a retirar sua roupa de baixo, incluindo o chefe do escritório em Jerusalém do Wall Street Journal. Um porta-voz da agência de segurança doméstica, o Shin Bet, responsável pela segurança de Netanyahu, confirmou um incidente envolvendo a repórter da Al-Jazira, dizendo que ela preferiu deixar o evento. As informações são da Dow Jones.