A primeira página da edição do dia 9 de outubro do jornal Rolling Stone, publicado em Uganda, traz a lista dos 100 “principais” gays do país com uma faixa amarela onde se lê “enforquem-nos”. Além das fotografias, o jornal traz os nomes e os endereços dos homens. Nos dias seguintes à publicação, pelo menos quatro dos gays ugandenses da lista foram atacados e muitos outros estão escondidos, seguindo a ativista dos direitos humanos Julian Onziema. Uma pessoa citada na matéria teve a casa atacada com pedras pelos vizinhos.

Um legislador do país africano apresentou, no ano passado, um projeto de lei que pode impor a pena de morte para alguns atos homossexuais e prisão perpétua para outros. A medida atraiu críticas internacionais e a votação do projeto foi silenciosamente adiada. Mas os gays de Uganda dizem que têm enfrentado um ano de ameaças e ataques desde a apresentação do projeto. A lei foi formulada após a visita de um grupo de líderes religiosos cristãos norte-americanos que promovem uma terapia que, segundo afirmam, podem fazer com que os gays se tornem heterossexuais.

Mais de 20 homossexuais foram atacados no último ano em Uganda e outros 17 foram detidos e continuam presos, disse Frank Mugisha, presidente do grupo Minorias Sexuais. Esse número é maior do que o registrado dois anos atrás, quando cerca de dez homossexuais foram atacados, segundo ele. O projeto se tornou um veneno político após a condenação internacional. Muitos líderes cristãos denunciaram o projeto e o presidente de Uganda, Yoweri Museveni, sinalizou aos legisladores que eles não deveriam aprová-lo.