Manifestantes realizaram demonstrações contra o uso de energia nuclear em todo o Japão hoje, marcando o aniversário de três meses do terremoto e tsunami que mataram mais de 23 mil pessoas e desencadearam um dos piores desastres nucleares do mundo.

Ruas em diversas partes de Tóquio foram completamente tomadas por milhares de pessoas, o que paralisou algumas áreas da capital japonesa. Alguns pediam o desligamento imediato de todas as usinas nucleares do país e exigiam testes de radiação mais rigorosos por parte do governo.

O terremoto de magnitude 9 que atingiu a região localizada na costa nordeste do Japão no dia 11 de março causou um enorme tsunami que devastou várias cidades. Os desastres deixaram sem energia e sistemas de resfriamento a usina nuclear de Daiichi, em Fukushima, cerca de 225 quilômetros a nordeste de Tóquio, provocando explosões, incêndios e grandes vazamentos de radiação da instalação.

Relatórios governamentais divulgados no início desta semana informaram que os danos e vazamentos foram piores do que as projeções iniciais, indicando que parte do combustível nuclear de três reatores provavelmente derreteu para os três núcleos e áreas interiores de contenção. Os documentos revelaram ainda que a radiação que vazou para a atmosfera foi correspondente a cerca de um sexto do desastre nuclear de Chernobyl, em 1986, na Ucrânia.

Os desastres têm renovado o debate sobre energia nuclear no Japão, um país com poucos recursos naturais. O país originava 30% de sua eletricidade da energia nuclear antes dos desastres e planejava elevar esse porcentual para 50% em 2030, mas o governo anunciou que vai abandonar esse objetivo e promover as energias renováveis.

“Desde o terremoto, eu percebi que a energia nuclear é muito perigosa”, disse Takeshi Terada, de 32 anos, um trabalhador do setor de transporte, que protestava acompanhado de mais 10 amigos, em Tóquio.

Algumas usinas nucleares do país permanecem fechadas na esteira do desastre, levando a temores de que não haverá energia elétrica suficiente para os meses de pico de verão em Tóquio e em outras cidades. Moradores da capital têm reduzido o uso de luzes e ar condicionado, enquanto algumas empresas estão transferindo operações cruciais, como centros de informática, para áreas do Japão com suprimento de energia mais estável.

Na usina de Fukushima, centenas de trabalhadores ainda estão lutando para conseguirem um “desligamento frio” dos reatores até o início do próximo. Três meses após os desastres, 90 mil pessoas ainda moram em abrigos temporários, como ginásios de escolas e centros comunitários.

Política

O primeiro-ministro japonês Naoto Kan visitou hoje Kamaishi, uma cidade costeira fortemente devastada pelo tsunami. Ele tem sido criticado por sua atuação durante os desastres e na condução dos planos de recuperação do país. O premiê sobreviveu a um voto de desconfiança no início deste mês, com a promessa de renunciar assim que a recuperação for concluída. A especulação sobre quando ele vai sair tem se ampliado, com o seu partido e o principal grupo de oposição insinuando uma coalizão para acelerar a recuperação. As informações são da Associated Press.