O Grupo de Lima aceitou nesta segunda-feira a entrada do governo interino da Venezuela, encabeçado pelo deputado oposicionista Juan Guaidó. Chanceleres de 11 países reunidos na capital canadense difundiram uma declaração de 17 pontos, na qual exortam a comunidade internacional a impedir que o governo de Nicolás Maduro possa fazer transações financeiras e comerciais no exterior, ter acesso a ativos internacionais da Venezuela e realizar operações com petróleo, ouro e outros ativos.

O documento adverte que qualquer iniciativa diplomática internacional deve buscar uma transição de poder pacífica, não um processo de diálogo que ajude Maduro a permanecer no poder.

O governo de Guaidó, por sua vez, afirmou que realizará uma conferência internacional para solicitar ajuda humanitária emergencialmente. Carlo Vecchio, recentemente designado embaixador em Washington no governo liderado por Guaidó, afirmou na sede da Organização dos Estados Americanos (OEA), em Washington, que representantes de governos, a sociedade civil e o setor privado participarão da conferência, marcada para 14 de fevereiro. Dezenas de países, inclusive EUA e Brasil, reconheceram Guaidó como presidente interino, mas outros, como China, Rússia e Turquia, continuam a apoiar o Maduro, que exerce o poder. Hoje, Polônia e Croácia se uniram a ao menos outras 14 nações da União Europeia ao reconhecer Guaidó como líder.

Ao menos 3 milhões de venezuelanos fugiram do país, diante da grave crise econômica e social, com falta de alimentos e medicamentos. O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Antonio Guterres, afirmou nesta segunda-feira que tem mantido contato com partidários dos dois grupos na Venezuela para lidar com a crise, mas que decidiu que a ONU não participará em nenhuma delas. Em conversa a repórteres, Guterres disse que tomou a decisão “a fim de manter a credibilidade em relação a nossa oferta contínua de bons ofícios para que as partes possam encontrar uma solução política”.

Também nesta segunda-feira, Maduro criticou a decisão de nações europeias de reconhecer Guaidó como líder legítimo da Venezuela. Ele criticou especialmente o premiê Pedro Sánchez, socialista espanhol. Maduro afirmou a Sánchez que “suas mãos ficarão manchadas de sangue para sempre”, caso haja um golpe contra ele. Fonte: Associated Press.