O regime sírio reagiu hoje à interceptação de um avião comercial do país que foi obrigado a aterrissar na quarta em Ancara, na Turquia, a pedido das autoridades locais. Os turcos dizem que a carga, que vinha de Moscou, era ilegal.

O ministro dos Transportes da Síria, Mahmoud Ibrahim Said, acusou o governo turco de pirataria aérea pela retenção da aeronave, que foi inspecionada. Ele qualificou a ação como pirataria aérea e acusou a Turquia de violar os direitos da aviação civil.

Said ainda pediu a restituição das mercadorias e disse que os turcos trataram de forma hostil a tripulação da aeronave. A companhia aérea Syrian Arab Airlines afirmou que seus funcionários foram agredidos quando se negaram a assinar um documento.

A empresa afirmou que o carregamento do avião era legal. “Quando o avião foi inspecionado ficou claro que eram pacotes civis com equipamentos elétricos que foram autorizados a serem transportados e registrados oficialmente”.

A versão da companhia aérea é contrária ao anunciado pelas autoridades turcas. Fontes próximas ao governo turco disseram à televisão estatal TRT que os equipamentos encontrados no avião sírio eram de uso militar, como antenas e partes de mísseis.

Mais cedo, o ministro de Relações Exteriores turco, Ahmet Davutoglu, havia dito que o avião era carregado com “elementos que não são autorizados em voos civis”, sem especificar do que se tratavam.

Ele defendeu a operação, considerando que a medida foi tomada em represália à pouca segurança para o sobrevoo dos aviões turcos em território sírio.

Interceptação

O Airbus A320 da Syrian Arab Airlines foi obrigado a pousar em Ancara após ser interceptado por dois caças F-16 da Força Aérea turca, por volta das 17h15 locais (11h15 em Brasília). Nele, viajavam 37 passageiros que vinham de Moscou.

A aeronave foi submetida a registro e as autoridades turcas apreenderam cerca de dez contêineres, com conteúdo supostamente ilegal, que violaria as normas de trasporte da aviação civil.
O avião foi liberado por volta das 2h30 locais (20h30 em Brasília) para seguir o voo até Damasco. Pouco antes, Ancara emitiu uma ordem proibindo as aeronaves turcas de passar pelo espaço aéreo da Síria.
A interceptação acontece em meio à troca de bombardeios entre sírios e turcos na região de fronteira entre os dois países, após um ataque vindo da Síria atingir uma casa na cidade de Akçakale, na Turquia, deixando cinco mortos no dia 3.
A ação aumentou a tensão entre os dois países e a oposição dos turcos ao regime de Bashar Assad, que enfrenta confrontos violentos com grupos armados de opositores desde março de 2011.

Eletricidade

Hoje as autoridades turcas anunciaram que a Síria suspendeu a compra de eletricidade de usinas do país na semana passada, o que pode ter relação com a piora da relação entre os governos.

O ministro da Eletricidade turco, Taner Yildiz disse que a decisão foi tomada na última quinta (4), um dia depois do ataque a Akçakale. No entanto, afirma que, mesmo com os confrontos, continuará a fornecer energia se Damasco quiser.

“A porta está aberta. Se eles pedem de novo, então poderemos retomar o serviço”, disse.

A Turquia fornece cerca de 2,3 milhões de megawatts de eletricidade por ano, o que representa de 18 a 20% das necessidades sírias.