Estudantes chineses entraram em choque neste domingo (27) com manifestantes anti-Pequim na passagem da tocha olímpica por Seul, atacando pedras e garrafas de água durante a mais recente etapa da problemática jornada da tocha pelo mundo.

Centenas de policiais protegiam a tocha dos protestos contra o tratamento da China aos refugiados da Coréia do Norte. Um desertor norte-coreano tentou se imolar, numa tentativa de impedir a passagem da tocha, mas foi contido pelos policiais. Os pequenos grupos de manifestantes eram superados de longe pelo mar de apoiadores da China, que carregavam as bandeiras vermelhas nacionais e que tomaram as ruas da capital sul-coreana para defender a tocha.

Foram destacados 8 mil policiais para acompanhar o revezamento, com alguns correndo ao lado da tocha, enquanto outros acompanhavam em cavalos e bicicletas a passagem da chama pela cidade que sediou os Jogos Olímpicos em 1988.

Em outras ocasiões, foi a violenta reação da China aos protestos contra o domínio chinês sobre o Tibete que provocou as tentativas de impedir a passagem da tocha. Mas, na Coréia do Sul muitos críticos centraram foco no tratamento de Pequim aos desertores que tentam escapar dos sofrimentos na Coréia do Norte.

Centenas de norte-coreanos fugiram pelas pouco controladas fronteiras chinesas e muitos estão escondidos na China. Quando pegos, eles são deportados pelas autoridades chinesas e enfrentam prisões em condições que colocam suas vidas em risco na Coréia do Norte.

O homem que tentou se imolar, Son Jong Hoon, de 45 anos, liderou sem sucesso uma campanha pública para salvar seu irmão da execução no Norte, onde foi acusado de espionagem após os dois terem se encontrado secretamente na China. Cerca de uma hora depois de iniciado o revezamento da tocha, Son jogou gasolina no próprio corpo no meio da rua, mas a polícia rapidamente o cercou e levou embora antes que ele pudesse atear fogo ao corpo.

Dois outros manifestantes tentaram, mas não conseguiram interromper a corrida de 24 km com a tocha, que ia do Parque Olímpico – construído em honra aos Jogos de Verão de 1988 – até a sede da prefeitura da cidade. A polícia informou que cinco pessoas, incluindo um estudante chinês, foram detidas.

Os choques aconteceram no início da corrida, entre um grupo de 500 apoiadores da China e cerca de 50 críticos de Pequim. Os manifestantes carregavam uma faixa com os dizeres "Liberte os refugiados da Coréia do Norte na China". Os estudantes atacaram pedras e garrafas de água, enquanto 2.500 policiais tentavam manter os dois lados separados.

Depois de Seul, a tocha deverá fazer sua primeira passagem na história pela Coréia do Norte, para a corrida de revezamento na segunda-feira. Não se esperam protestos, já que o estado autoritário não tolera dissidências.