Parlamentares esquerdistas mantinham nesta sexta-feira ocupadas as duas Casas do Parlamento mexicano. Após passarem a noite nos salões em que se realizam as sessões, eles advertiram que não sairão até terem garantias de que haverá um debate nacional prévio a uma reforma energética anunciada pelo governo, considerada por eles uma forma de privatização.

A ação dos legisladores lembrou a tomada da tribuna da Câmara de Deputados, em novembro de 2006, para evitar a posse do presidente Felipe Calderón. Deputados e senadores da esquerda transformaram o Congresso desde quinta-feira em um acampamento. A manobra interrompeu o início do debate legislativo sobre a reforma.

Com alguns alimentos e líquidos, os parlamentares se organizaram em turnos, para que permanentemente houvesse gente na tribuna. Enquanto alguns tentavam descansar em sacos de dormir, outros seguiam acordados, cantando e tremulando bandeiras.

Os manifestantes são membros do Partido da Revolução Democrática (PRD) e do pequeno Partido Trabalho e Convergência. Eles tomaram a tribuna das Casas pouco depois da uma da tarde, hora local, em uma ação que gerou fortes críticas de outras siglas.

O PRD acusa o Partido da Ação Nacional, atualmente no poder, e o ex-governante Partido Revolucionário Institucional (PRI) de fazerem um pacto para acelerar a aprovação da reforma energética O texto prevê que a estatal Petróleos Mexicanos (Pemex) contrate empresas privadas para construir e operar refinarias, além de acompanhá-la na exploração e produção de petróleo.

O governo insiste que não se trata de uma privatização. Argumenta que está previsto um esquema de pagamentos às empresas em dinheiro, com bônus adicionais por desempenho, mas sem ceder a elas parte do petróleo ou dos derivados.

"Nós pretendemos fazer um debate nacional, mas não esse debate cheio de manhas, pré-elaborado que têm o PRI e o PAN", disse à rádio Fórmula o senador do PRD Ricardo Monreal. Segundo ele, o governo busca aprovar a reforma nas próximas três semanas.

A tomada do Parlamento se inscreve na chamada "resistência civil pacífica" convocada pelo ex-candidato presidencial do PRD Andrés Manuel López Obrador. O esquerdista perdeu a eleição presidencial para Calderón por meio ponto percentual. López Obrador afirma ter sido vítima de uma fraude e se autodenominou "presidente legítimo" do México.