O diretor da mostra Quinzena dos Diretores do Festival de Cannes, Olivier Père, declarou à ANSA que "a prova da boa saúde do cinema latino-americano está, não apenas nos cinco títulos que apresentamos" nesta seção do festival, mas também "nos outros selecionados pela seção oficial e pela Semana da Crítica".

A presença massiva e os inúmeros prêmios recebidos por jovens produtores da América Latina "demonstram que nos encontramos diante de um verdadeiro reconhecimento da produção cinematográfica" da região, acrescentou Père, que destacou "a força, a coragem e a independência desses cineastas".

O diretor da Quinzena anunciou quatro produções latino-americanas selecionadas para a seção. Père qualificou "Acné", do estreante uruguaio Federico Veiroj, como "um filme sumamente encantador sobre as turbulências amorosas de um adolescente" e "Tony Manero", uma co-produção chileno-brasileira Pablo Larraín, como "um filme estranho, surpreendente e violento sobre um psicopata que acredita que é John Travolta, envolvido por um contexto político igualmente violento, como foi a ditadura de Augusto Pinochet".

Para Père, o filme "Liverpool", do cineasta argentino Lisandro Alonso, considerado por ele como "um imenso cineasta", "o mais apaixonante de todo o cinema argentino", é "uma espécie de conclusão de sua trilogia iniciada com ‘A liberdade’ e seguida por ‘Os mortos’, que tivemos a honra de apresentar na Quinzena".

"Salamandra", de Pablo Agüero, foi definida por Père como "a obre de um jovem debutante argentino de enorme talento".

O curta "Muro" do pernambucano Tião é o representante brasileiro na Quinzena.

O cinema latino-americano nunca esteve tão bem representado em Cannes como neste ano. Além dos quatro longas e do curta-metragem escolhidos para a Quinzena, a seleção oficial conta com o brasileiro "Linha de Passe", de Walter Salles e Daniela Thomas, as produções argentinas "La mujer sin cabeza", de Lucrecia Martel (a única mulher entre os concorrentes à Palma de Ouro) e "Leonera", de Pablo Trapero; e com o curta uruguaio "Buen viaje", de Javier Palleiro e Guillermo Rocamora.

Na mostra paralela Um certo olhar, serão exibidos o filme mexicano "Los bastardos", de Amat Escalante, e o brasileiro "A festa da menina morta", do ator e diretor Matheus Nachtergaele.

Para a 47ª edição da mostra Semana da Crítica, foi selecionado o longa argentino "La sangre brota", de Pablo Fenderick, e para a competição de curtas, os filmes "Ahende de sapukai (I hear you scream)", do paraguaio Pablo Lamar, e "A espera", da brasileira Fernanda Teixeira.

Os mexicanos "Desierto adentro", de Rodrigo Plá, "Lago Tahoe", de Fernando Eimbcke, e "Mi vida adentro", de Lucía Gajá, participam das demais seções do festival; além dos curtas "Areia", do brasileiro Caetano Gotardo, "Beyond the Mexican Bay", de Jean-Marc Rousseau Ruiz, e "Peces plátano", de Natalia Beristain Egurrola, ambos mexicanos.