Uma delegação do governante líbio Muamar Kadafi foi enviada à Europa hoje com mensagens para ministros de países integrantes da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e da União Europeia (UE), que se reúnem amanhã, informaram funcionários e diplomatas europeus.

Mas, segundo um importante diplomata europeu, tanto os ministros da Defesa da Otan quanto líderes e ministros de Relações Exteriores da UE se recusaram a receber o grupo. Segundo ele, os representantes líbios fizeram escalas no Egito, onde se reuniram com um funcionário do Ministério da Defesa, e em Malta.

Um porta-voz do ministro de Relações Exteriores de Portugal, Luis Amado, também declarou que um enviado líbio foi a Lisboa e que ele iria se reunir com Amado ainda hoje. O porta-voz disse que a chefe da diplomacia da UE, Catherine Ashton, concordou com a reunião. Um importante funcionário da UE confirmou que Ashton estava ciente do encontro.

O diplomata europeu disse que as mensagens que os líbios levaram dizem que o regime de Kadafi está tentando resolver a crise pacificamente, mas que qualquer ataque de rebeldes contra Trípoli vai gerar um “massacre” por causa do grande número de pessoas armadas e leais do líder líbio no interior da capital.

Ele afirmou que a delegação também leva a mensagem de que a zona de exclusão aérea e o congelamento de bens tornam mais difícil resolver a situação em benefício do povo líbio e que o regime está pronto para conversar com um representante da oposição. O diplomata não interpretou a mensagem como uma ameaça, mas um esforço para evitar a intensificação do conflito.

O avião que levou a delegação terá permissão para pousar caso se dirija para Bruxelas (Bélgica), mas seus integrantes não terão permissão para participar de reuniões ministeriais, disse o diplomata.

Um porta-voz da Otan disse mais cedo que dois aviões do governo líbio haviam entrado no espaço aéreo europeu, mas não ficou claro se havia duas delegações separadas ou apenas uma. Também não está claro quem lidera a delegação.

Ontem, integrantes do Conselho Líbio Nacional, de oposição, viajaram para Estrasburgo (França) para se reunirem com Ashton e membros do Parlamento europeu.

A UE estuda o aumento das sanções contra a Líbia, mas disse que no momento sua prioridade é aliviar a situação humanitária no país. O bloco também pediu que o regime de Kadafi deixe o poder, mas importantes funcionários disseram que vale a pena tentar uma solução pacífica para o conflito na Líbia.

Ministros de Relações Exteriores da UE se reúnem em Bruxelas amanhã para discutir a situação na Líbia e chefes de governo do bloco realizam uma cúpula sobre a Líbia na sexta-feira. As informações são da Dow Jones.