Com a criação do que o presidente venezuelano, Hugo Chávez, chamou de “guerrilhas comunicacionais”, grupos de jovens receberam do governo a missão de identificar as “mensagens capitalistas” transmitidas por meios de comunicação privados e “contestá-las” em murais, panfletos, mensagens de celular, blogs, sites e e-mails. Pelo plano chavista, nem mesmo pichações de muros devem ficar sem resposta.

As tais “guerrilhas” incluem adolescentes. Só entre os primeiros integrantes do grupo há 75 estudantes de 13 a 17 anos, recrutados em três colégios municipais. A oposição qualificou a iniciativa de “irresponsável”. “É extremamente grave a decisão do governo de criar a guerrilha comunicacional em instituições educativas. Eles estão utilizando de maneira irresponsável crianças e adolescentes para atos políticos, o que é proibido por lei”, disse José Luis Farías, porta-voz da coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática.

Representantes juvenis do grupo Aliança Bravo Povo, também opositor, pediram para a Unicef – organização de proteção à infância e à adolescência ligada à ONU – um pronunciamento sobre a incorporação dos estudantes aos quadros das guerrilhas comunicacionais.

O ministro da Educação venezuelano, Héctor Navarro, explicou em entrevista à emissora oficial Venezuelana de Televisão (VTV) que o objetivo do projeto é que os adolescentes se convertam em ativistas “da verdade” (que, para as autoridades venezuelanas, é sinônimo da versão oficial dos fatos).

“A guerrilha tem várias características: mobilidade, autonomia, versatilidade e comprometimento com os interesses do povo”, afirmou Navarro. “Espera-se que os ‘disparos’ que esses grupos produzam sejam de ideias, de propaganda, de resposta a todas essas campanhas dos meios de comunicação.”