Um ex-funcionário do Departamento de Estado, bisneto de Alexander Graham Bell, foi condenado hoje à prisão perpétua sem possibilidade de condicional por espionar para Cuba. Já sua mulher recebeu uma sentença de 81 meses de prisão por ter ajudado o marido a roubar segredos norte-americanos.

O juiz distrital Judge Reggie Walton disse que Kendall e Gwendolyn Myers traíram os Estados Unidos por três décadas, e deveriam receber uma alta punição por suas atitudes. Durante uma explicação de dez minutos ao juiz, Kendall Myers disse que roubou segredos sem a intenção de prejudicar os Estados Unidos e que seu objetivo era passar adiante informações sobre as políticas norte-americanas para Cuba, um país que, segundo ele, teme os Estados Unidos por sua oposição ao governo cubano.

O juiz disse que ele estava “perplexo” com o fato de que Myers, de 73 anos, pudesse acreditar que não estava prejudicando os Estados Unidos, tendo em vista o nível de antagonismo entre os dois países. “O povo cubano sente-se ameaçado” e “eles têm boas razões para sentirem-se ameaçados”, porque os Estados Unidos perseguem uma política de mudança de regime para Cuba, explicou Myers.

“Parte de nossa motivação”, disse Myers sobre ele e sua mulher, era informar da forma mais acurada possível o que ele pensava ser a política norte-americana para Cuba, advertir Havana e tentar analisar a natureza da ameaça. “Às expensas dos Estados Unidos”, completou o juiz Walton.

O promotor do Departamento de Justiça, Michael Harvey, disse que Myers e sua mulher receberam medalhas de funcionários de inteligência cubanos e que, em 1995, eles viajaram para Cuba, onde tiveram uma reunião privada com o presidente Fidel Castro. Kendall Myers tinha acesso diário a informações sigilosas e pedia mais a seus colegas do governo, disse Harvey.

Quando o FBI lançou uma operação que descobriu as atividades do casal, foram gravadas imagens de Kendall Myers afirmando a um agente que se passava por um contato cubano que gostaria de retomar seu trabalho para Cuba. “Eu estava realmente pensando que seria legal voltar”, disse Kendall Myers, segundo o promotor.