Um bombardeio matou pelo menos 13 pessoas num ponto de ônibus em Donetsk na manhã desta quinta-feira, informou o prefeito da cidade do leste ucraniano. Confrontos entre forças da Ucrânia e rebeldes pró-Rússia continuavam na região horas depois de diplomatas terem relatado um pequeno processo na direção de um cessar-fogo após negociações que se estenderam pela noite em Berlim.

Muitas pessoas ficaram feridas no ataque realizado na cidade controlada pelos rebeldes, informou o prefeito Ihor Martynov. Os separatistas responsabilizam as tropas de Kiev pelo ataque, enquanto o ministro ucraniano de Relações Exteriores Pavlo Klimkin chamou a ação de ataque “terrorista” e pediu a Moscou que “interrompa os terroristas”.

Os combates se intensificaram na última semana entre forças ucranianas e separatistas na região de Donbas, leste da Ucrânia, o que levou a intensos esforços diplomáticos para encerrar a violência e implementar um acordo efetivo de cessar-fogo, já que o pacto tem sido repetidamente violado desde que foi alcançado na cidade de Minsk, na Bielorrússia, em setembro.

No que parece ter sido um contratempo simbólico para as forças de Kiev, suas tropas saíram durante a noite das ruínas no principal terminal do aeroporto de Donetsk, posição que era mantida havia meses apesar dos implacáveis ataques dos separatistas, informou um porta-voz militar em Kiev.

“Na noite passada tomamos a decisão de sair do terminal e recuar para novas linhas”, declarou o porta-voz Vladislav Seleznyov. “Os combates nas proximidades do aeroporto continuam e nossas tropas assumiram a defesa em uma série de áreas.” Ele informou também que dez soldados foram mortos nas últimas 24 horas, uma das maiores baixas em apenas um dia nas últimas semanas.

Klimkin foi um dos participantes das conversações de Berlim, que também incluíram os ministros de Relações Exteriores da Rússia, França e Alemanha. Em sua conta no Twitter, Klimkin descreveu as negociações como “uma batalha diplomática que ninguém ganhou e ninguém perdeu. Nós avançamos um passo numa cláusula dos acordos de Minsk.”

Após mais de três horas de negociações na noite de quarta-feira, o ministro de Relações Exteriores alemão Frank-Walter Steinmeier disse que “eu não estou aqui para dizer a vocês que isso foi um avanço…mas eu acredito que alcançamos um notável progresso hoje”.

Diplomatas disseram que os dois lados concordaram sobre uma questão que era um importante ponto de discórdia: a linha divisória a partir da qual os dois lados começarão a retira sua artilharia, mísseis e outros armamentos pesados, disposição fundamental do acordo de Minsk.

Nos últimos meses, os rebeldes avançaram e expulsaram as forças de Kiev numa série de áreas importantes, tomando 500 quilômetros quadrados de novos territórios. Apesar dos avanços, diplomatas russos disseram ter pressionado os rebeldes a concordar em retornar para a linha divisória original negociada em Minsk. Diplomatas disseram que as conversações de quarta-feira confirmaram o acordo e o compromisso de retirar os armamentos para a criação de uma zona tampão de 9 milhas (14 quilômetros) ao longo da linha de contato.

Mas Klimkin afirmou nesta quinta-feira que a Rússia “não quer negociar as outras cláusulas” do acordo de Minsk. Dentre elas está a exigência de que o controle na fronteira entre a Rússia e áreas dos separatistas retornem para o controle ucraniano, o que permitiria a Kiev conter o fluxo de armas e combatentes provenientes da Rússia. Na quarta-feira, o ministro de Relações Exteriores russo Sergei Lavrov disse que dependia de Kiev negociar essa questão com os rebeldes e que isso poderia ser resolvido apenas depois de um amplo acordo ser alcançado em territórios separatistas. Fonte: Dow Jones Newswires.