A movimentação financeira da advogada Ariane dos Anjos passou de menos de R$ 10 mil em 2000 para R$ 145.986,42 no ano passado, de acordo com os técnicos da CPI do Tráfico de Armas. Na declaração de Imposto de Renda de 2005, no entanto, Ariane, segundo os técnicos, disse ter rendimentos de apenas R$ 2.802,80. Ela é investigada por colaboração com o Primeiro Comando da Capital (PCC), por participação no assassinato do juiz-corregedor da Vara de Execuções Penais de Presidente Prudente Antônio Machado José Dias, em 2003.

A CPI do Tráfico de Armas investiga 34 advogados suspeitos de integrarem ou colaborarem com o PCC. Por ser advogada de vários criminosos da organização, Ariane teve os sigilos quebrados pela comissão e foi uma das primeiras investigadas, pela suspeita de que atue como pombo-correio. Várias anotações da contabilidade da facção apreendidas já mostraram que os pagamentos dos advogados são feitos pelo PCC com dinheiro do crime.

Entre os depósitos registrados no cruzamento dos dados de Ariane está o de R$ 10 mil, na conta bancária da Nossa Caixa, no dia 28 de setembro de 2004, mesma data em que a contabilidade do PCC registra pagamento de advogado. A anotação estava com o assaltante Deivid Surur, o DVD, apontado como um dos tesoureiros do PCC, preso em julho do ano passado e encontrado morto, enforcado na cadeia, meses depois.

A análise dos dados aponta 55 depósitos em contas de Ariane feitos em datas próximas a de visitas aos clientes nos presídios entre 3 de janeiro de 2003 e 4 de maio de 2006, dia seguinte à última visita da advogada a Marcola. Até agora, foi analisada mais profundamente a conta da advogada na Nossa Caixa. Ainda são aguardadas algumas informações da quebra de sigilo das contas no Santander e no Bradesco.