O ministro da Previdência Social, Luiz Marinho, se envolveu nesta quinta-feira (19) em um incidente com um grupo de aposentados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Ao sair do prédio do ministério da Previdência para uma reunião no Palácio do Planalto, Marinho se recusou a parar para receber o grupo, que pretendia lhe entregar um documento com propostas. Segundo os aposentados, na seqüência o carro do ministro arrancou e acabou atingindo alguns idosos, que chegaram a cair no chão.

O relato foi feito pelo presidente da Confederação Nacional dos Aposentados (Cobap), Benedito Marcílio. Segundo ele, pelo menos três pessoas teriam se machucado e reclamavam de dores em razão da queda. A Assessoria de Imprensa do Ministério da Previdência negou que alguém tivesse se machucado. Marcílio disse que o documento que os idosos tentaram entregar ao ministro era sobre o resultado do Fórum Nacional da Previdência dos Aposentados.

Uma dessas pessoas que se diziam feridas era o aposentado Cristiniano Lima, de 76 anos, que veio de São Paulo para o fórum. À porta do ministério, Lima, diante de jornalistas, mostrava a perna que teria siso atingida. Não eram visíveis marcas de arranhões ou sangue, mas o aposentado dizia que a perna estava dolorida.

"Viemos ordeiramente para entregar nossas propostas ao ministro, esperamos ele sair, e ele tocou o carro em cima da gente", disse o presidente da Cobap. "Aí, sim, virou um protesto, porque onde já se viu um ministro da Previdência tocar o carro em cima de aposentados?", perguntou Benedito Marcílio. O grupo havia feito uma caminhada, com "apitaço", da Câmara até a sede do Ministério da Previdência, aglomerando-se em frente à saída privativa.

Reivindicações

A assessoria do ministério argumentou que, se alguém tivesse sido atropelado, uma ambulância teria sido chamada para atendimento. Segundo a assessoria, Marinho saiu do prédio já atrasado para um compromisso no Palácio do Planalto, e o grupo não havia agendado nenhum horário para uma audiência.

No documento que os aposentados queriam entregar ao ministro, está a reivindicação de um reajuste maior que os 3,3% anunciados na semana passada para correção dos benefícios previdenciários com valores superiores a dois salários mínimos.

O secretário de Políticas de Previdência Social do ministério, Helmut Schwarzer, alegou que o reajuste anunciado e exatamente à inflação medida pelo INPC, do IBGE, apurado entre abril de 2006 e março deste ano. "Estamos cumprindo rigorosamente o que diz a lei, que manda haver uma recomposição da inflação anualmente", afirmou o secretário.