Ao retomar a campanha por um lugar permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas, o Brasil conseguiu o discreto e inesperado apoio do México, opositor da pretensão brasileira. O país declarou-se favorável à inclusão do Brasil no grupo que delibera sobre as questões mais agudas da política internacional desde que seja o escolhido pela América Latina para representar a região. "México e Brasil coincidem em quase todos os temas da reforma, exceto em uma variável: o México defende que, no Conselho de Segurança, sejam definidas cadeiras para regiões, não a um país particularmente", declarou o ministro de Relações Exteriores mexicano, Luiz Ernesto Derbez.

Ao lado do chanceler brasileiro, Celso Amorim, Derbez argumentou que um representante latino-americano – em vez de uma Nação específica – teria melhores condições para enfrentar as pressões dos demais membros permanentes em votações delicadas. O formato regional, na opinião de Derbez, seria mais "saudável". Amorim, por sua vez, insistiu que as diferenças que restam entre as posições de ambos os países são "muito sutis" e comprometeu-se a criar mecanismos institucionais de consultas ao países da América Latina e do Caribe, se o Brasil alcançar sua ambição. "Sempre dissemos que, se o Brasil viesse a ingressar o Conselho de Segurança de forma permanente, faremos isso ouvindo a América Latina e o Caribe", disse.