A Marinha do Brasil decidiu dar sua última cartada na tentativa de desencalhar o navio de transporte de tropas Ary Parreiras, preso com 150 tripulantes a bordo há 27 dias num banco de areia do rio Tapajós, em frente à cidade de Santarém, no oeste do Pará. Será feita uma dragagem da área em volta da embarcação, de 119 metros de comprimento, depois de vinte tentativas frustradas de desencalhe por rebocadores da Petrobrás, Mineração Rio do Norte e da própria Marinha. A última delas aconteceu no último sábado (5).

A escavação começou neste domingo (6) e deve ser concluída amanhã. As equipes estão utilizando dragas para remover o máximo de areia do rio e contam com a subida do nível do rio para facilitar o trabalho. Quando tudo estiver concluído, o rebocador Almirante Guilhem, deslocado de Belém para Santarém, fará nova tentativa para içar o navio. Rebocador é um barco projetado para empurrar, puxar e rebocar barcaças ou navios em manobras delicadas, como atracação ou desatracação.

"Nós esperamos que tudo dê certo e o navio seja finalmente desencalhado", disse a tenente Carla Souza, assessora de imprensa do 4º Distrito Naval, em Belém. Ela explicou que o navio, embora esteja servindo à Marinha há mais de 50 anos, está em boas condições e não apresenta qualquer avaria. Souza disse que tudo está sendo feito com a cautela necessária para evitar prejuízo ao meio ambiente. Quando sair, a embarcação será submetida a uma avaliação técnica. A Capitania dos Portos de Santarém apostava na subida da maré para ajudar as equipes de resgate, mas começou a perder a esperança ao fazer medições e constatar que a natureza não está contribuindo.

O navio Ary Parreiras foi construído em 1955 no Japão e lançado ao mar em 1956. Ele encalhou no rio Tapajós dia 11 de abril quando vinha de Manaus rumo a Belém com 330 pessoas, incluindo os 150 tripulantes. Trazia 186 alunos e instrutores do Centro de Instrução Almirante Braz de Aguiar (Ciaba), que foram removidos para a capital paraense.