Mãe de João Hélio consola mãe de Alana em missa

Edna Ezequiel, de 31 anos, entrou amparada na Igreja da Candelária para a missa de sétimo dia de sua filha Alana, de 12 anos, morta por uma bala perdida em um tiroteio entre policiais e traficantes no Morro dos Macacos, zona norte do Rio. A empregada doméstica se sente pressionada por policiais e traficantes por conta do inquérito que apura a autoria do disparo.

?Não consigo comer, dormir, sair nem ficar dentro de casa, tudo tem a cara dela?, disse Edna, no fim da cerimônia na qual estavam presentes parentes e amigos de outras vítimas da violência na cidade, como os pais do menino João Hélio Fernandes a mãe da desaparecida Priscila Belfort e Tico Santa Cruz, vocalista da banda Detonautas, cujo guitarrista, Rodrigo Netto, foi morto em uma tentativa de assalto em 2006.

O momento mais emocionante foi quando Rosa Cristina Fernandes, de 41 anos, mãe de João Hélio – morto em fevereiro ao ser arrastado 7 quilômetros, preso ao cinto de segurança, por bandidos que roubaram o carro dela – abraçou e acariciou o rosto da doméstica.

A missa reuniu pouco mais de cem pessoas. Com medo da reação dos traficantes, a Associação de Moradores do Morro dos Macacos recuou e não providenciou ônibus para parentes e amigos comparecerem à cerimônia. A missa, que também homenageou os seis policiais mortos em ação desde sexta-feira, contou com a presença do secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame, do comandante da Polícia Militar, Ubiratan Ângelo, e do chefe de Polícia Civil, Gilberto Ribeiro.

A cúpula da Segurança Pública fez fila para abraçar a mãe de Alana e ouviu o discurso de Tico Santa Cruz, que pediu medidas preventivas contra a violência. ?A paz não é uma palavra mágica, mas o reflexo de medidas tomadas pelo governo e pela sociedade. Enquanto não houver justiça social, não haverá paz.

As mães de vítimas entregaram às autoridades o documento Agenda Positiva 2007 – O Rio do Bem, que sugere, entre outras medidas, a revisão do Estatuto da Criança e do Adolescente, mudanças nos institutos para a reabilitação de menores e parceira com a iniciativa privada para cursos de capacitação para que o ensino público seja em tempo integral.

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