O presidente Luiz Inácio Lula da Silva rejeitou a proposta do governo paraguaio de renegociar o Tratado de Itaipu, de 1973, e aumentar o preço da energia que o Paraguai vende ao Brasil. Em entrevista coletiva, tendo ao lado o presidente do Paraguai, Nicanor Duarte Frutos, Lula declarou que "não existem temas proibidos na nossa relação, mas uma renegociação está fora de cogitação". O tratado estabelece que cada país tem direito de 50% da energia produzida pela usina de Itaipu e que a energia não consumida poderá ser vendida para o outro sócio. Atualmente, o Paraguai consome só 6% dos 50% da energia a quem tem direito.

Pouco antes da entrevista do brasileiro, Nicanor Duarte, em discurso, pediu mudanças no tratado, sem entrar em detalhes. "Mesmo vendo a boa vontade do presidente Lula, creio que é preciso buscar um grande acordo político para mudar os termos do tratado, buscar mais justiça e igualdade no acordo, no curto e médio prazo, para refletir o que significa Itaipu para o Paraguai", afirmou.

A imprensa do Paraguai diz que o valor pago anualmente pelo Brasil ao Paraguai pela energia excedente – que, no ano passado, foi de US$ 373 milhões – é um preço abaixo do valor de mercado e mostra uma posição "imperialista" do Brasil. Hoje, o jornal "ABC Color", em editorial, avaliou que o preço justo a ser pago é de US$ 2 bilhões ao ano.

Lula defendeu um plano de produção de biodiesel pelos dois países em território paraguaio. Lula disse que o biocombustível será "uma revolução" em países como Brasil, Paraguai e Bolívia. O presidente brasileiro lembrou que, no Brasil, existem 44 milhões de pobres – o que equivale a sete vezes a população do Paraguai – e disse que os países em desenvolvimento devem se unir para aumentar sua força em organismos internacionais.