O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve assinar hoje com o presidente paraguaio Nicanor Duarte um pacote de acordos que inclui incentivo à produção de biodiesel e parcerias nas áreas de defesa e combate à febre aftosa. O anúncio dessas medidas, porém, não reduziu ontem as reclamações contra a decisão do governo brasileiro de deixar de fora da agenda da viagem a renegociação do Tratado de Itaipu, que estabelece as regras da venda de energia. São fortes, entre a oposição do Paraguai e alguns jornais, as queixas a respeito do preço que o Brasil paga pela energia de Itaipu que os paraguaios não consomem.

A um ano das eleições presidenciais no Paraguai, esses adversários de Duarte defendem uma relação mais dura com o vizinho ?poderoso?. O governo brasileiro tenta desclassificar as avaliações de que o Paraguai pode se tornar uma nova Bolívia – país que expropriou os bens da Petrobrás e estabeleceu novas regras para o uso dos seus recursos naturais. ?O gás da Bolívia é da Bolívia, já o recurso hídrico de Itaipu é dos dois países, Brasil e Paraguai?, disse o embaixador brasileiro em Assunção, Valter Pecly. Pelo Tratado de Itaipu, no entanto, o Paraguai é dono de 50% da energia produzida pela usina. Como só consome 6%, repassa o restante ao Brasil. Nessa operação, o Paraguai recebeu no ano passado US$ 373 milhões.

O governo brasileiro pode anunciar hoje, também, novas regras aduaneiras na fronteira entre Foz do Iguaçu e Ciudad del Este. Os comerciantes da cidade paraguaia reclamam que os sacoleiros brasileiros só têm direito de comprar US$ 300 por mês. A atuação cada vez mais rigorosa da Receita Federal na fronteira tem causado protestos do lado paraguaio.