O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou há pouco à fábrica da Ford, em Camaçari, a 50 quilômetros de Salvador, na Bahia. Neste momento, ele se reúne com diretores da empresa. A Ford comemora a produção de 265 mil carros no ano passado, ultrapassando a meta de 250 mil veículos estimados para 2008.

A visita de Lula é criticada pelo PFL baiano. Em 1999, o partido de Antonio Carlos Magalhães travou duelo com o PT no Congresso para instalar a fábrica de automóveis em Camaçari. A bancada petista se opôs à Medida Provisória que garantia à Ford utilizar os benefícios fiscais do Regime Automotivo Norte-Nordeste. O pré-candidato do PT ao governo baiano neste ano, Jaques Wagner, era um dos integrantes da bancada petista. A MP foi aprovada, com recomendação contrária do bloco do partido.

A princípio, a empresa iria instalar a fábrica no Rio Grande do Sul, mas o então governador do Estado, Olívio Dutra, do PT, decidiu não fechar acordo com a empresa, sob pressão de setores diversos do Estado que consideravam absurdos os incentivos públicos no empreendimento.

À época, Lula não participou do coro da bancada petista. Mas desafiou o então presidente Fernando Henrique Cardoso a não aceitar as pressões de ACM, propondo a instalação da Ford em Pernambuco. Para o pefelista, o presidente, agora, é "cara-de-pau", ao ir visitar uma obra que rejeitou.

A fábrica da Ford custou US$ 1,9 bilhão, incluindo recursos do BNDES e da própria empresa. Atualmente, a linha de produção gera 8,5 mil empregos diretos e 85 mil indiretos, segundo dados da assessoria de imprensa da empresa. Dentro da área da Ford funcionam 25 empresas, que fornecem peças para a montadora.

A Ford considera a fábrica de Camaçari a mais "produtiva" e "rentável" da América do Sul. No ano passado, a Ford mundial teve um prejuízo total de cerca de US$ 2 bilhões. As fábricas da América Latina, no entanto, apresentaram um lucro de US$ 389 milhões, minimizando os prejuízos da Ford dos Estados Unidos.