O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assegurou há pouco, na abertura do seminário "Oportunidades de Novos Negócios entre Brasil e Portugal", que reúne cerca de 100 pesos-pesados da economia dos dois países no Hotel Meridien, nesta cidade, que o governo não vai mudar seu rumo ante questões políticas ou eleitorais.

"Todo mundo sabe que, em ano eleitoral, os governantes ficam mais generosos e que, muitas vezes, essa generosidade obriga o governo a cometer atos de irresponsabilidade, até porque gasta dinheiro que não é dele, dinheiro do povo", afirmou Lula, tendo a seu lado o primeiro-ministro José Sócrates.

"Nós nos comprometemos moralmente, não apenas com a nossa consciência, mas com o futuro do Brasil, de que, embora tenhamos eleições no próximo ano, não teremos gesto nem tomaremos medidas que possam significar colocar em risco a solidez das coisas que construímos até agora, com muito sacrifício", acrescentou o presidente. "Não vou carregar nas costas a chance, a responsabilidade de não ter consolidado definitivamente o desenvolvimento no País.

Falando de improviso depois de ler um discurso escrito, Lula lembrou que "o Brasil já teve muita pirotecnia, muitas mágicas, inventou planos no meio da noite que terminaram de madrugada", assegurando: "Nós não faremos isso. Em economia, não tem mágica. Tem é responsabilidade, tem oportunidade, e nós agiremos com toda a responsabilidade possível e não perderemos a oportunidade, não só a que nós criarmos, mas também a que o mercado internacional criar para isso".

O presidente começou seu pronunciamento, antes de ler a parte escrita, com uma brincadeira. Disse que hoje é um dia especial porque, ontem, o Brasil se classificou em primeiro lugar nas eliminatórias sul-americanas para a Copa da Alemanha, ao derrotar a Venezuela por 3 a zero, ao mesmo tempo em que a Argentina, maior rival brasileira no futebol, perdia para o Uruguai por um 1 a zero. A brincadeira provocou risos da platéia. Lula lembrou, ainda, que Portugal também se classificou para a Copa, e com o técnico brasileiro Luís Felipe Scolari, fazendo votos, em seguida, de que os dois países possam enfrentar-se na final da Copa da Alemanha.