Brasília (AE) – Parlamentares de partidos de oposição tentaram hoje (14) esmiuçar a batalha travada pelo ex-ministro Luiz Gushiken e o banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, em torno do controle da Brasil Telecom. O ex-ministro foi preparado para a briga e deixou claro que é inimigo de Dantas: fez questão de ler em voz alta uma série de manchetes de jornais e revistas contra o banqueiro, entre elas as matérias em que mostram que o dono do Opportunity teria sido indiciado pela Polícia Federal por formação de quadrilha. O Opportunity teria contratado a Kroll para investigar políticos, entre eles Gushiken, ligados a fundos de pensão.

"Não faço juízo de valor sobre esse empresário. Não tive acesso sobre dados de espionagem. Aliás, não sei a razão para espionarem a minha vida", afirmou Gushiken. O senador Heráclito Fortes saiu em defesa de Daniel Dantas e mostrou duas cartas da Kroll para a presidente da Brasil Telecom, Carla Cico. Enviadas em 30 de dezembro de 2004 e em 18 de janeiro deste ano, as duas correspondências apresentadas pelo pefelista são assinadas pelo presidente da Kroll, Frank Holden. Em resumo, as duas cartas afirmam que as investigações "a respeito das ações da Telecom Itália que prejudicaram a Brasil Telecom" foram feitas pela Kroll a pedido do Citigroup. Até abril deste ano, o Citigroup era sócio de Daniel Dantas na Brasil Telecom.

No depoimento de cerca de 10 horas, Gushiken contou ainda que vetou, em 2002, doações de Daniel Dantas para a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o ex-ministro, representantes do Opportunity estiveram no comitê de campanha. "Mas sugeri ao comitê que não era recomendável aceitar os recursos do Daniel Dantas porque conhecia bem como ele agia nos fundos de pensão", disse o ex-ministro.

O depoimento do ex-ministro decepcionou a oposição e o relator da CPI dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR). "Ele (Gushiken) falou muito pouco. As informações não avançaram para uma pessoa da qual todos dizem que têm profundos conhecimentos sobre os fundos de pensão. Mas não posso dizer que ele tenha faltado com a verdade", resumiu Serraglio. O ex-ministro negou com veemência que tivesse poder sobre os fundos de pensão. "São calúnias, difamações recheadas de fantasia", afirmou.