O Irã instalou duas cascatas de 164 centrífugas cada uma em sua usina subterrânea de Natanz, estabelecendo uma base de enriquecimento de urânio em grande escala e aumentando a tensão com o Ocidente, disseram nesta segunda-feira (5) diplomatas europeus em Viena. As cascatas serão testadas em breve, sem carga de alimentação. Se os testes tiverem sucesso, então elas serão abastecidas com o combustível – gás hexafluoreto de urânio -, acrescentaram os diplomatas.

As 328 centrífugas são as primeiras de uma série de 3 mil que o Irã planeja instalar nos próximos meses para iniciar o chamado enriquecimento em escala industrial. O Irã já possuía duas cascatas, também com 164 centrífugas, no vasto complexo subterrâneo, fortificado e cercado por armas antiaéreas no centro do deserto iraniano.

Na semana passada, diplomatas haviam informado que o Irã tinha terminado de instalar tubulações, cabos elétricos e outros equipamentos necessários para as centrífugas. O funcionamento das centrífugas aumentará dramaticamente o confronto do Irã com as potências ocidentais, que em dezembro aprovaram sanções limitadas no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) contra Teerã por sua recusa em suspender seu programa de enriquecimento de urânio. O Departamento de Estados advertiu nesta segunda-feira que pressionará por sanções adicionais contra o Irã se o governo de Teerã continuar com seu programa de enriquecimento de urânio.

Os EUA e várias nações ocidentais acreditam que Teerã está tentando fabricar armas nucleares, mas o governo do Irã assegura que quer apenas suprir suas necessidades de energia. A República Islâmica planeja instalar em Natanz, a longo prazo, um total de 54 mil centrífugas. Segundo especialistas, com 3 mil centrífugas trabalhando em sua capacidade máxima, em um ano Irã poderia enriquecer urânio para fabricar uma bomba atômica.