O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,52% em dezembro, devido aos aumentos de cigarros, ônibus e alimentos, informou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O dado segue o avanço de 0,34% em novembro. Em 2003, o IPCA apresentou alta de 9,3%, abaixo do avanço de 12,5% visto em 2002, que foi o maior em sete anos.

No entanto, a taxa anual ultrapassa a meta de inflação perseguida pelo governo, de 8,5% para 2003. Este é o terceiro ano consecutivo que o Banco Central não consegue cumprir a meta de inflação. Mesmo assim os economistas consideraram positivo o resultado ano passado. “Apesar de estar acima da meta, se a gente considerar que as expectativas no começo do ano (2003) eram bastante negativas, o resultado não é de todo mau. O BC conseguiu trazer a inércia para baixo, assim como as expectativas de inflação”, afirmou Vladimir Caramaschi, economista-chefe do Banco Fator.

“Além disso, hoje as expectativas para 2004 são bem mais favoráveis. O BC deve fazer em janeiro um novo corte de juros, porque a aceleração da inflação é apenas pontual.” Uma pesquisa da Reuters mostrou esta semana que os economistas esperam, em média, uma inflação de 5,9% em 2004, patamar próximo da meta central de 5,5%, que tem intervalo de tolerância de 2,5 pontos percentuais para cima e para baixo.

Pelo sistema de metas de inflação, estabelecido em meados de 1999, o presidente do BC, Henrique Meirelles, deve enviar uma carta aberta ao ministro da Fazenda explicando detalhadamente as causas do descumprimento da meta. Os analistas previam para dezembro uma taxa de 0,47% e para 2003, de 9,24%.

Alta pontual

A taxa de dezembro ficou acima das expectativas, mas analistas disseram que passados os efeitos pontuais, a inflação se mostrará equilibrada. Cigarros, com alta de 5,09%, foram o maior impacto individual no índice, de 0,06 ponto percentual. Com avanço de 0,97% e impacto de 0,05 ponto percentual, estiveram as tarifas de ônibus urbanos. Os alimentos também pressionaram, como costuma ocorrer nesta época do ano. O grupo teve alta de 0,39% em dezembro, acima da elevação de 0,25% em novembro.

“A inflação vai continuar subindo em janeiro, porque você tem aumentos sazonais, como mensalidade escolar, IPTU… mas daqui (início do ano) em diante, por você ter uma falta de renda, você vai ter um ano com inflação moderada”, afirmou Alexsandro Barbosa, economista da consultoria Global Invest. No ano de 2003, o grupo que apresentou a maior variação foi Comunicação, com alta de 18,69%.

No ano passado, para segurar a inércia inflacionária, o BC promoveu um forte aperto monetário, levando os juros para 26,5% ao ano em fevereiro. A partir de junho os juros começaram a cair, fechando o ano em 16,5%.

Os analistas esperam uma nova redução dos juros na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para a próxima semana.

INPC

O INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), que mede o custo de vida para famílias com renda mensal entre um e oito salários mínimos, fechou o ano de 2003 com taxa de 10,38%, com a alta de 0,54% de dezembro. Em 2002, o resultado do ano foi de 14,74% e o do mês de dezembro, de 2,70%. Em 2003, os alimentos tiveram alta de 7,17% e os não alimentícios, de 11,88%, enquanto em 2002 os alimentos tiveram alta três vezes maior (21,52%), embora os não alimentícios tenham registrado taxa semelhante (11,82%).

Curitiba teve o menor índice

Curitiba fechou o ano de 2003 com os índices de inflação mais baixos do País. No IPCA, a variação foi de 7,33% – contra 11,18% em Belo Horizonte, que registrou a taxa mais elevada. No INPC, Curitiba teve alta de 7,47%, enquanto Belo Horizonte figurou com o maior índice: 12,09%. Em dezembro, Curitiba ficou com o segundo menor índice do País, tanto no IPCA (0,33%) quanto no INPC (0,22%).

Em dezembro, as variações de preços nos grupos do IPCA na capital paranaense foram as seguintes: Alimentos e Bebidas (-0,23%), Habitação (0,33%), Artigos de Residência (0,21%), Vestuário (0,41%), Transportes (0,70%), Saúde e Cuidados Pessoais (0,15%), Despesas pessoais (1,12%), Educação (0,03%) e Comunicação (0,05%). No INPC, as variações foram: Alimentos e Bebidas (-0,26%), Habitação (0,23%), Artigos de Residência (0,13%), Vestuário (0,56%), Transportes (0,39%), Saúde e Cuidados Pessoais (-0,09%), Despesas pessoais (2,00%), Educação (0,27%) e Comunicação (0,09%).

No ano de 2003, os preços administrados por contrato e monitorados subiram 8,11% em Curitiba, ficando, portanto, acima dos índices de inflação. Em dezembro, houve alta de 1,35%, elevando para R$ 410,22 o custo dos serviços públicos para uma família curitibana.