Brasília – Discutir a relação entre o Estado e a comunicação é o tema central do 29º Congresso da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom), que começa hoje (6) na Universidade de Brasília (UnB) e prossegue até sábado (9).

São esperadas para o evento cerca de 3 mil pessoas, das quais 1.200 são convidados que vão fazer palestras e debates nas cerca de 60 mesas simultâneas previstas. O resultado dos debates será encaminhado à comunidade acadêmica e divulgado em publicações e através da mídia.

Esta é a primeira vez que o Intercom se realiza em Brasília. De acordo com o presidente da Intercom, o professor de Comunicação José Marques de Melo, a escolha do tema tem a ver com a ?personalidade? de Brasília, uma vez que a cidade é sede do poder nacional.

O objetivo do congresso, segundo Marques de Melo, é ajudar os pesquisadores em comunicação a encontrar problemas que sejam fontes de investigações e estudos a fim de melhorar o sistema brasileiro de comunicação.

?Estamos completando um ciclo que é exatamente essa transição à democracia, e os meios de comunicação, na minha maneira de ver, eles vão ter, digamos, um papel mais proativo em relação ao desenvolvimento nacional?, afirma o professor. Segundo ele, os comunicadores também esperam a criação de leis, políticas e regulamentos que inibam má conduta na área de comunicação.

Entre as questões ligadas à comunicação que precisam ser melhoradas, Marques de Melo cita a regionalização, da comunicação, que, segundo ele, até agora é ?letra morta?. Ele afirma que também é preciso que os meios de comunicação tomem cuidado com a importação excessiva de formatos vindos do exterior. ?Não quero dizer que fechemos as portas do Brasil ao mundo, mas é preciso preservar a nossa identidade cultural?.

Para manter a relação politicamente equilibrada entre o Estado e os meios de comunicação, Marques de Melo recomenda transparência e continuidade nas políticas. ?O Brasil, na verdade, é um país que pouco tem se preocupado em ter uma política orgânica de comunicação. É preciso que essa política na verdade seja estruturada pelo Congresso Nacional, implementada pelo Executivo, fiscalizada pelo Judiciário, mas sobretudo monitorada pela opinião pública?.