O mercado de trabalho em novembro deste ano, assim como em 11 meses de 2006, ficou estável em termos quantitativos, mas melhorou qualitativamente, avalia o gerente da pesquisa mensal de emprego do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Cimar Azeredo.

Para o instituto, a taxa de desemprego de 9,5% apurada em novembro ficou estável, já que "não registrou variação estatisticamente significativa" em relação à taxa de 9,8% de outubro e também em relação à taxa de 9,6% de novembro do ano passado.

Além disso, Azeredo também considera sem variação estatística significativa as taxas de -2,6% no número de desocupados em novembro ante outubro e de +2,5% ante novembro de 2006.

Outra variação considerada estável pelo instituto é a de 0,3% no número de ocupados ante outubro. Ele explica que esse comportamento ocorre por causa da margem de intervalo prevista na metodologia de cálculo dos dados do desemprego, que considera algumas magnitudes de variação como estáveis.

Para Azeredo, a "estabilidade" na taxa de desemprego ocorreu porque "não houve geração de postos de trabalho e a economia não foi dinâmica o suficiente para isso".

A taxa de desemprego apurada na média de 11 meses (janeiro a novembro) de 2006 ficou em 10,1%, praticamente inalterada em relação à taxa de 10% em igual período do ano passado. "Em 11 meses, 2006 foi ‘sem graça’, muito mais do que em 2005, que apresentou melhoria mais forte (na taxa de desemprego) em relação ao ano anterior", disse o gerente da pesquisa mensal de emprego do IBGE, acrescentando que em 2004, em 11 meses, a taxa havia sido de 11,6%.

Para ele, "em 2006, parece que houve desaceleração no crescimento do emprego, quantitativamente. O mercado está parado qualitativamente, não porque há mais pessoas com carteira assinada e ganhando mais".

Para Azeredo, o fato de a taxa de desemprego não ter caído mais em 2006 "não é uma surpresa, o PIB (do terceiro trimestre) já mostrou que a economia não tem sido dinâmica o suficiente para gerar mais vagas".

Ele explica que a melhora qualitativa no mercado pode ser percebida no aumento do número de trabalhadores com carteira assinada e do rendimento médio real, em conseqüência do reajuste do salário mínimo, inflação controlada, aumento da fiscalização trabalhista e mais incentivos governamentais à formalização.

O rendimento médio real dos ocupados aumentou 0,6% em novembro ante outubro e 5,7% ante novembro do ano passado. Na média dos 11 meses deste ano, houve elevação de 4,3% ante igual período de 2006.

O número de ocupados com carteira de trabalho assinada ficou estável (mais 0,1%) em novembro ante outubro, mas cresceu 6,0% ante novembro do ano passado. Não foram divulgados os dados em 11 meses desse indicador.