O homem encontrado morto hoje num carro em Ipanema, no Rio de Janeiro, teria sido torturado antes de ser assassinado. O corpo foi localizado na avenida Vieira Souto, região da elite carioca, onde os imóveis estão entre os mais caros da cidade.

O episódio chocou os moradores e foi um dos cinco casos de homicídio registrados no fim de semana.

A vítima, que teria cerca de 30 anos, tinha um ferimento na cabeça e marcas de tortura, de acordo com a polícia. O homem negro vestia camisa vermelha, bermuda branca e estava com as mãos amarradas. A cabeça estava coberta por uma camisa preta

"Um guardador de carros contou que o veículo foi deixado no local um dia antes. O corpo foi descoberto apenas por causa do mau cheiro, pois a película protetora nos vidros impedia a visão do cadáver. A chave estava na ignição", disse um policial militar. Uma cabine da PM fica a poucos metros do local.

A "desova" ocorreu no estacionamento da pista, no sentido do Leblon, em frente ao ponto mais badalado da praia de Ipanema, o Posto 9, há décadas local de encontro da esquerda universitária.

No quarteirão, entre as ruas Joana Angélica e Vinícius de Moraes moram diretores de TV e advogados famosos

Ao contrário de outras regiões do Rio, onde a remoção de cadáveres costuma ser demorada, a polícia montou uma operação para a retirada rápida do corpo sem despertar a atenção das milhares de pessoas que caminhavam pela orla do bairro, por volta das 10h30.

Um reboque da Polícia Militar levou o carro com o corpo dentro para o pátio da 14ª Delegacia de Polícia, do Leblon, onde a perícia foi concluída.

"A perícia de local foi feita lá (na Vieira Souto). O carro foi rebocado para tomada de impressões digitais e para que não ficasse expondo o público ao constrangimento. Fui eu que determinei, por questão de bom senso. Para esperar o rabecão (carro de recolhimento de corpos), eu trago (o cadáver) à delegacia", disse o delegado José Alberto Lages, negando ter violado protocolo da perícia.

Apesar da declaração do delegado, um perito trabalhou por duas horas na análise do corpo e do carro no pátio da delegacia. Os papiloscopistas da Polícia Civil chegaram apenas por volta das 14h.

A Polícia Civil afirmou oficialmente no início da noite que, no local onde o veículo foi achado com o corpo, foram feitas apenas fotos.

Segundo Lages, o carro foi roubado no último dia 13, em Botafogo na zona Sul, provavelmente para servir de transporte para a desova.

Ele não quis dizer se considerava um desafio dos criminosos o carro ser abandonado em uma área nobre da cidade. "Não sou pago para especular, mas para apurar", declarou.

O caso impressionou até as pessoas acostumadas ao cotidiano violento da cidade. Moradora de Parada Angélica, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, a ambulante Eliane Souza, de 32 anos, achou o crime "absurdo".

"Onde eu moro aparece uns três corpos abandonados por mês. Aqui é a primeira vez que eu vejo. Acho que todos os lugares estão ficando parecidos ", afirmou.