Os gastos com medicamentos representam cerca de 11,5% do orçamento do Ministério da Saúde, segundo o diretor do Departamento de Assistência Farmacêutica da Pasta Dirceu Barbano.

De acordo com ele, os investimentos federais na área praticamente dobraram desde o ano 2002. A previsão para este ano é gastar R$ 3,2 bilhões de reais com medicamentos e, para 2006, R$ 4,15 bilhões.

Porém, Dirceu Barbano ressalta que, apesar do aumento no volume de recursos destinados à assistência farmacêutica, um dos desafios no país é fazer com que a população se sinta, de fato, beneficiada.

"Ainda há uma sensação de que faltam medicamentos de uma maneira indiscriminada e muito acentuada. Então, nós temos que ter capacidade de fazer com que esses recursos, que têm sido crescentes, repercutam de fato na vida das pessoas e que tragam resultado no tratamento dos problemas de saúde", avaliou o diretor.

Para mudar esse quadro, o governo federal vai contar com o apoio de centros de pesquisa e de instituição de ensino, que poderão apresentar propostas na área de assistência farmacêutica. Os ministérios da Saúde e da Ciência e Tecnologia pretendem liberar R$ 4 milhões para o financiamento de projetos de pesquisa que reduzam a incidência de problemas relacionados a medicamentos, no Sistema Único de Saúde (SUS).

"Tanto o Ministério da Saúde como os estados e os municípios gastam recursos elevados para que as pessoas tenham acesso a medicamentos, porém, não vemos uma repercussão efetiva no serviço. É importante que tenhamos condições de estudar quais são os problemas que levam a isso e reverter essa situação."

Segundo o diretor, a expectativa é que os projetos apresentem soluções para problemas relacionados à gestão do sistema. "Sabemos que muitos dos problemas de desabastecimento das unidades da rede pública dependem de aspectos relacionados à gestão", contou.

"Então, outro desafio é: o planejamento, a administração das unidades, no sentido de saber quais são os medicamentos necessários e em que quantidade ? ou quais os medicamentos mais efetivos para o tratamento dos principais agravos no país."