A alta nos preços dos combustíveis não impediu o recuo da inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor-15 (IPCA-15) para 0,37% em março, ante 0,52% em fevereiro. A queda de um mês para o outro foi puxada pelas mensalidades escolares, que foram o principal impacto na taxa de fevereiro e reduziram drasticamente a alta em março. O IPCA-15 é avaliado pelo mercado financeiro como uma prévia do IPCA, referência para as metas de inflação do governo e também divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A diferença entre os dois índices está no período de coleta.

A gasolina (2,17%) e o álcool (7,69%) deram as maiores contribuições individuais para a inflação em março, cada um com 0,10 ponto porcentual. As altas foram resultado da mudança na composição da gasolina a partir do início de março, com menor porcentual de álcool, e ainda dos reajustes que têm ocorrido no preço do álcool na entressafra da cana-de-açúcar. No primeiro trimestre, o IPCA-15 acumulou alta de 1,41% e, em 12 meses, de 5 49%.

Para Marcela Prada, da Tendências Consultoria, apesar do esperado aumento dos combustíveis, que impediu uma queda maior da inflação, o resultado do índice "foi bem positivo", na medida em que mostrou um bom comportamento dos preços livres (determinados pelo mercado, enquanto os monitorados são acompanhados pelo governo), cuja variação passou de 0,40% em fevereiro para 0,25%.

As mensalidades escolares, após variação de 5,38% em fevereiro, desaceleraram o reajuste para 0,80% em março. Também contribuíram para o recuo da taxa alguns itens de consumo que chegaram a apresentar resultados negativos, como os artigos de vestuário – cujas promoções levaram a uma queda de 0,11% -, e os aparelhos de TV, som e informática (-1,75%).

Os produtos alimentícios também prosseguiram na trajetória de queda (-0,08%), mas menos expressiva do que em fevereiro (-0,40%). Houve redução em produtos como feijão preto (-4,29%), tomate (-3,45%) e carnes (-2,00%). O frango teve queda de 8,45%, mais intensa do que no mês anterior (-5,03%). Do lado das altas dos alimentos, destacaram-se o feijão carioca (16,69%) açúcar refinado (9,04%) e cristal (7,48%).