Brasília ? Os órgãos que promovem igualdade racial nos estados e municípios enfrentam problemas: 75% não possuem estrutura, recursos humanos e orçamento adequados, e 30% não dispõem de verba nenhuma. Foi o que revelou uma pesquisa da Universidade de Brasília (UnB) encomendada pela Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), divulgada ontem (21).

O estudo foi realizado neste ano para avaliar os objetivos, problemas e resultados das políticas de governo implementadas no Brasil. Inédito no Brasil, aponta que 160 órgãos de promoção da igualdade racial foram criados após o estabelecimento da Seppir, em 2003. De acordo com o coordenador da pesquisa, Sadi dal Rosso, esse crescimento não significa que os órgãos sejam eficientes e os objetivos sejam alcançados.

"Percebemos que nos organismos constituídos nos estados e municípios para levar adiante essas políticas, há aquela estrutura mais instável. São coordenações, comissões, grupos de trabalho que nos dão a impressão de serem provisórios, o que não é bom", explica o professor Dal Rosso. Segundo ele, tal situação caracteriza "um grande entrave para a promoção integral da igualdade racial".

Segundo a ministra da Seppir, Matilde Ribeiro, as pessoas envolvidas na promoção da igualdade racial nos estados e municípios "ainda não estão preparadas para desenvolver políticas". "Precisamos a cada dia investir mais para que essas ações sejam eficazes e façam parte da agenda pública do país", disse.

O estudo revelou também que 85% dos gestores nos municípios são militantes do movimento negro. "Isso significa que as políticas sugeridas ou implementadas estão atreladas às convicções éticas. E eles [gestores] se esforçam além do que é exigido pelo órgão público", destaca Dal Rosso.

Os resultados preliminares da pesquisa foram divulgados no encerramento do 6º Fórum Intergovernamental de Promoção da Igualdade Racial, realizado em Brasília. Os relatórios completos, com mais de 350 páginas, serão divulgados pela UnB e pela Seppir em duas semanas.