Os brasileiros que desembarcaram na manhã de hoje (3) em São Paulo, vindos do Líbano, revelaram que a última semana de bombardeios foi a mais difícil. Segundo Amira Ahmad, aumentaram os ataques e faltou alimento. ?A gente comprou bastante comida. Começou a faltar cigarro, farinha, açúcar e pão?.

Ahmad saiu do Brasil para visitar os filhos no Vale do Bekaa, região no leste do Líbano fortemente bombardeada, e ficou lá por quase dois meses. Ela afirma ter presenciado três ataques. ?Foi um desespero. Eu via isso na televisão, mas nunca tinha visto ao vivo. Quando jogam a bomba, os vidros e as casas balançam, faz muito baralho. Ficávamos desesperados?, conta.

?Essa última semana foi muito difícil?, confirma Mohamed Chamdaur, que morou por dois anos e meio no Vale do Bekaa. ?Até uns 20 dias atrás estava tudo bem no Líbano, um paraíso. Mas aí teve esse conflito e fomos obrigados a sair de lá?, diz Chamdaur, que desembarcou na capital paulista acompanhado da esposa e dois filhos.

Para ajudar pessoas que estavam no Líbano e voltaram ao Brasil, foi criado um comitê de ajuda humanitária intitulado SOS Salve o Líbano. Segundo Mohamed Zoghbi, diretor executivo da Federação das Associações Mulçumanas do Brasil e um dos fundadores do comitê, a campanha foi lançada na última terça-feira e tem apoio de várias associações religiosas, sociais e culturais.

?O objetivo é dar suporte a essas pessoas que estão chegando e arrecadar mantimentos, medicamentos e vestuário para eles?, afirma Zoghbi, que esteve no aeroporto oferecendo ajuda aos brasileiros que chegavam. ?Primeiro estamos cadastrando essas pessoas. Num segundo passo, vamos entrar em contato para ver quais são as necessidade e procurar oferecer o que está ao nosso alcance, como assistência psicológica?.