O Comando da Marinha pode optar pela construção de um segundo submarino de ataque da classe Tikuna – projeto alemão aperfeiçoado no Brasil – caso haja falhas técnicas insuperáveis no modelo Ikl-214, de 1.772 toneladas, escolhido para a expansão da frota nacional e em fase de compra também na Alemanha. O Comando, em nota oficial, afirma que está acompanhando ‘com atenção’ a evolução dos problemas detectados no submarino grego Papanikolis, um Ik-214 da mesma linha.

Os defeitos, de acordo com a manifestação do almirante Roberto Guimarães Carvalho, ‘podem ocorrer (…) e para isso isso existem as provas de mar’. O almirante cita o francês Scorpéne, principal concorrente internacional do Ikl-214, que ‘também apresentou problemas’ nos ensaios oceânicos.

A embarcação, desenvolvida pelo estaleiro alemão ThyssenKrupp Marine, é a primeira de um lote de quatro unidades comprado pela Grécia sob cláusula de construção em estaleiros locais. O acordo do Brasil, no valor de 1,08 bilhão, prevê a produção de um submarino no Arsenal da Ilha das Cobras, no Rio, e também a modernização dos cinco submersíveis empregados pela Marinha, todos de tecnologia alemã.

Grupo técnico integrado por cinco oficiais, chefiado pelo capitão J. Lignos, foi constituído em Atenas setembro. Em novembro, seu primeiro relatório indicou dezenas de falhas menores e seis significativas: instabilidade em mar agitado, baixa potência do propulsor, ruído excessivo,vibração no periscópio, deficiências no sistema de combate e vazamentos. A nota do almirante Carvalho destaca que as novas tecnologias adotadas em submarinos de propulsão diesel-elétrica permitem uso em missões estratégicas ‘com eficácia’.