A exportação de cachaça em 2006 registrou um crescimento de 15% em relação a 2005. De acordo com levantamento realizado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), a exportação do produto vem crescendo a cada ano.

A cachaça, que começou a ser produzida em 1600 no município de Parati, no Rio de Janeiro, é a bebida brasileira mais exportada, principalmente para os países europeus e Estados Unidos. Porém, a falta de regulamentação no mercado internacional faz com que a valorização do produto não sobressaia, pois toda a produção exportada é realizada na forma a granel.

Reconhecimento

No Brasil, por meio do Decreto n.º 4.062, de 2002, a cachaça é reconhecida como um produto típico exclusivo brasileiro. Apenas a edição dessa legislação não foi suficiente para resolver a comercialização do produto no mercado internacional.

Segundo a coordenadora-geral de Vinhos e Bebidas do Mapa, Graciane Gonçalves, as negociações junto ao Ministério das Relações Exteriores já estão sendo feitas com os órgãos internacionais para o reconhecimento da cachaça como produto genuinamente brasileiro. ?O reconhecimento dessa tipicidade, além de valorizar o produto vai aumentar as exportações, que só o ano passado renderam mais de 14 milhões de dólares. É o que acontece com a tequila, que é mundialmente reconhecida como bebida mexicana?.

Na avaliação de Graciane Gonçalves, a cachaça deixou de ser considerada bebida de segunda classe, tornando-se privilegiada em muitos mercados, principalmente o europeu. ?Na Europa muitos apreciadores consideram a cachaça mais saborosa do que a vodca. A exportação já atingiu a 11,7 milhões de litros anualmente. Com o reconhecimento, o número de exportação pode crescer mais?, garantiu.

Normas

O Mapa aprovou, no ano passado, novas normas e procedimentos para registro de estabelecimentos produtores de aguardente de cana e de cachaça, organizados em cooperativas.

As novas regras disciplinam as cooperativas que desenvolvem a atividade de produtor, acondicionador, engarrafador e exportador de aguardente de cana e cachaça. Definem como obrigações das cooperativas de produtores: prestar assistência técnica ao produtor cooperado, manter o controle qualitativo e quantitativo da aguardente de cana e de cachaça; o controle dos estabelecimentos dos cooperados, assegurando as condições adequadas de higiene, conservação e funcionalidade segundo as normas vigentes.