Um grupo de dez veteranos do Paraná, Santa Catarina e São Paulo, que lutaram na Segunda Guerra Mundial, parte hoje para a Itália, onde serão homenageados pela participação no combate. Do grupo, cinco são do Paraná ? de Campo Largo, Telêmaco Borba, Rio Negro, Curitiba e São José dos Pinhais ? e todos têm a faixa de 83 anos de idade. A homenagem será prestada pela comunidade das cidades italianas onde os ex-combatentes da Força Expedicionária Brasileira (FEB) atuaram.

Os veteranos viajam acompanhados por familiares, totalizando cerca de cinqüenta pessoas. Mestre especialista em assuntos da FEB, a pesquisadora Carmem Lúcia Rigoni vai acompanhar o grupo. Ela conta que as homenagens acontecem em cidades próximas à linha gótica ? um local que tem aproximadamente 350 km de extensão, no Norte da Itália, perto de Bolonha ?, como Gaggio Montano (onde ocorreram os combates de Monte Castelo) e Montese (onde ocorreram os combates mais ferrenhos de brasileiros contra alemães).

As homenagens iniciam no dia 21, com a inauguração de um monumento no Monte Della Riva, no município de Fanano. No dia 22, acontece a inauguração do Parco (parque) Brasiliano em Gaggio Montano e a transferência de um monumento inaugurado em 95 denominado Brasile ? a cópia fiel do centro da bandeira brasileira. No dia 24, a homenagem será em Montese, onde será oferecido um diploma de cidadania honorária aos ex-combatentes brasileiros.

“Essas homenagens oferecidas pela comunidade italiana sessenta anos depois da guerra mostram que na Itália, assim como na França, existe a cultura da memória histórica da guerra”, aponta a pesquisadora. “Não vi naquela região monumento para qualquer outro soldado, a não ser para o brasileiro.” Segundo ela, os atos de humanidade, solidariedade, amizade, aproximação da língua e a religião católica foram os fatores que mais aproximaram os brasileiros dos italianos. A última homenagem das comunidades italianas aconteceu em junho de 2001.

489 mortes

Os brasileiros chegaram à Itália em 1944 e participaram dos combates de novembro daquele ano a abril de 1945. Do Brasil, partiram quase 25 mil homens, sendo 1.500 do Paraná. Na Segunda Guerra Mundial, morreram 489 brasileiros na Itália, e os feridos e mutilados somaram 2.500. Segundo Carmem Rigone, restam cerca de cinco mil ex-combatentes vivos espalhados por todo o País. “Nossos soldados foram considerados bons combatentes. Chegaram sem muito treinamento, sofreram na pele e aprenderam a fazer guerra guerreando”, arremata Carmem. (Lyrian Saiki)