Brasília ? A dívida externa brasileira caiu US$ 5,956 bilhões em relação a março, segundo a estimativa divulgada hoje (21) pelo Departamento Econômico do Banco Central (BC), referente ao relatório de maio sobre Setor Externo.

O estoque da dívida encerrou o mês em US$ 160,696 bilhões, sem contar os empréstimos intercompanhias, que somam mais US$ 20,852 bilhões em transferências, às filiais brasileiras, de empresas multinacionais com sede no exterior. Essa parcela é contabilizada pelo BC como investimento direto no setor produtivo.

De acordo com o relatório, a queda resulta, em parte, da operação de recompra de títulos pelo governo brasileiro, que amortizou US$ 270 milhões da dívida externa. Além disso, houve a liquidação de US$ 679 milhões do passivo com o Clube de Paris.

O documento ressalta que é preciso considerar também a entrada de US$ 1,155 bilhão em empréstimos do Banco Mundial (Bird) para programas de ajustes do setor público: US$ 500 milhões no setor habitacional e US$ 655 milhões em reforma fiscal.

O chefe do departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, explicou que a dívida externa de médio e longo prazos soma US$ 143,159 bilhões, enquanto a dívida de curto prazo, a ser paga nos próximos 12 meses, é de US$ 17,537 bilhões, de responsabilidade dos bancos privados e oficiais.

O relatório do BC mostra que, ao contrário da dívida externa, as reservas internacionais cresceram US$ 6,829 bilhões na comparação com o saldo do mês anterior. Encerraram o mês de maio com estoque de US$ 63,381 bilhões, por causa, principalmente, das compras líquidas de US$ 4,359 bilhões no mercado doméstico.

Também contribuíram as operações com o Bird e recompra de títulos da dívida. As demais operações externas geraram receita líquida de US$ 1,3 bilhão, incluída a liberação de garantias dos bônus bradies ? títulos negociados depois da moratória brasileira, no governo do ex-presidente José Sarney, e liquidados este ano pelo Tesouro Nacional.