Comércio agora espera as vendas de fim de ano.

As vendas reais do comércio varejista paranaense cresceram 2,68% em agosto, comparado ao mesmo mês de 2001. Com este desempenho, o Estado ficou acima da média nacional do setor, de 2,29% de expansão, conforme a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) divulgada ontem pelo IBGE. É o segundo mês seguido de aumento do volume de vendas, fato jamais ocorrido ao longo da série de resultados mensais da PMC. A expansão foi impulsionada pelo crescimento temporário do poder aquisitivo da população, em conseqüência dos empregos gerados na campanha eleitoral e a devolução da parcela residual do fundo de garantia, segundo avalia o técnico do departamento de comércio do instituto, Nilo Lopes.

Com o novo resultado positivo em agosto, os indicadores acumulados reduziram o ritmo de queda, registrando taxas de -0,10% no ano e de -0,72% nos últimos doze meses. Nessas bases de comparação, entretanto, o comércio do Paraná apresentou índices piores que a média brasileira: -1,54% e -1,76%, respectivamente.

A PMC apontou crescimento mensal no volume de vendas do varejo em 19 das 27 unidades da federação. Os estados que mais contribuíram positivamente para a taxa nacional foram: São Paulo (1,71%), Minas Gerais (6,75%), Santa Catarina (6,19%), Paraná (2,68%), Bahia (3,27%) e Pernambuco (4,98%). O principal impacto negativo para o índice global veio do Rio Grande Sul (-1,28%).

De acordo com a pesquisa, houve ampliação de 8,94% na receita nominal (faturamento bruto) do comércio brasileiro em agosto sobre agosto do ano passado. Nesse item, o desempenho do varejo paranaense ficou bem superior ao nacional, com alta de 7,68%. Já nos índices acumulados de receita de vendas, a média nacional ficou melhor que o Paraná tanto no ano (6,05% contra 3,93%) quanto nos doze meses (5,42% ante 4,40%).

Setores

Quatro das cinco atividades que compõe o índice geral do varejo tiveram elevação no volume de vendas na comparação agosto 2002/agosto 2001: Combustíveis e lubrificantes (10,44%); Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (1,61%); Tecidos, vestuário e calçados (2,27%); e Móveis e eletrodomésticos (1,55%). O único resultado negativo foi de Demais artigos de uso pessoal e doméstico (-0,37%). As duas primeiras atividades foram as que mais contribuíram para o crescimento mensal do setor varejista em agosto, representando aproximadamente 85% da taxa global de 2,29%.

No Paraná, o aumento real das vendas em agosto 02/ agosto 01 foi determinado pela variação positiva de 23,12% em Combustíveis e lubrificantes, a maior do País. “O setor já vinha crescendo em todo o País em função da acomodação de preços e das eleições, quando se usa muito carro para campanhas, carreatas e deslocamento de pessoas”, cita Nilo Lopes de Macedo, técnico do IBGE. No acumulado do ano e dos 12 meses, o Estado supera a média nacional na venda de combustíveis: 14,75% ante 4,78% e 12,17% ante 3,48%.

Por outro lado, o segmento de Tecidos, vestuários e calçados do Paraná registrou a maior queda do País em agosto: -8,95%, acumulando resultados negativos de -14,07% no ano e -9,92% nos doze meses, enquanto no Brasil houve variações negativas de -1,97% e -0,41%. “Como grande produtor e comerciante de roupas, o Paraná pode estar sofrendo a concorrência de importados”, avalia Macedo.

No Estado, o ramo de Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo caiu -1,46% em agosto, -5,84% no ano e -5,21% nos doze meses. O gênero de Móveis e eletrodomésticos acumula quedas de -4,12% em agosto, -0,58% em 2002 e -2,67% em doze meses. Demais artigos de uso pessoal e doméstico reduziu -0,51% em agosto, -0,07% em 2002 e -1,12% nos doze meses. Em agosto, a venda de veículos caiu -23,02% no Paraná, enquanto o recuo nacional foi de -14,66%.

Queda à vista

Os técnicos do IBGE estimam que a taxa de setembro deverá ser positiva, decorrente dos reflexos das eleições e dos recursos complementares do FGTS. “Outubro tende a ser negativo por causa do aumento de juros, que impacta o comércio de forma imediata, e pela falta de recursos injetados pela campanha eleitoral, já que a eleição presidencial se concentra mais no rádio e televisão”, prevê Macedo.